Que tal um amor de segunda?


De todos os maus humores que encontro pelas calçadas, e linhas do tempo intermináveis de redes sociais, um me chamou atenção: o maldito mundo da segunda-feira. Peço mil desculpas, desde já, caro leitor, se a visão dessa autora lhe parece demasiadamente otimista. Mas acredito que segundas também foram feitas para a felicidade, como todos os dias. Queimem os calendários, afinal, amar não necessita folha de ponto.
Acordei, como em todos os dias, tenho tido o benefício, pensando em algumas vantagens de se ter uma barriguinha e, por que não, algumas dobrinhas que percorrem partes do corpo que expostas em capas de revista, derrubariam o padrão de beleza com uma eficácia impressionante. O que uma boa e velha desculpa para não ir à academia não acrescenta na nossa vida? Muitas, e ótimas, reflexões.
Mas não é sobre isso que vinha falar, vinha falar de amor. Do mais fiel padrão de amor que nunca falha: o amor de segunda. É fácil falar de amor no sábado a noite assistindo a Netflix. Mais fácil ainda é falar de amor no domingo preguiçoso, na casa dos sogros, na soneca após o almoço. Oh, se é... É fácil falar de amor no feriado quando toda a equipe da empresa foi liberada para visitar a mãe. É fácil falar de amor olhando o pôr do sol, agradecendo as belezas do mundo.
 Mas é difícil falar do amor, quando o Sol nasce na segunda-feira e as janelas te agridem com o aviso de que uma nova semana se inicia. E dá-lhe faculdade, cursinho, trabalho, filhos... "Descongela a carne, eu vou me atrasar", dizia uma mensagem nada afetuosa no celular. E quando a falta de afeto nos abraça, ou melhor, quando o afeto deixa de nos abraçar, falar de amor se torna quase impossível.
Mas de amores que só vivem nos dias bons, estamos fartos. Também estamos fartos dos fins. Se amo no domingo e não no dia seguinte a esse, na sexta, solteira, digo que superei. E assim se faz um ciclo de amores frágeis demais, que poderiam ter sido tão bonitos, caso alguém tivesse se importado em amar na segunda, na terça, na quarta, na quinta e, antes que essa seja dedicada a fotos de superação no instagram, melhor amar, também, na sexta. Se posso lhe dar uma dica, ame a cada minuto, independente se ele faz parte do sábado de Natal ou da segunda de Finados.
O amor ultrapassa as fronteiras da sua falta de grana e do mau humor do seu chefe. Não liga pra sua barriguinha quebrada ou pro fato de você estar perdendo alguns cabelos. O amor também não se importa com aquele cara mega gato do trabalho dela. O amor mesmo, desses que leva pessoas a fazerem bobagens que geram em nós, meros mortais, vontades de vomitar por quilômetros, jamais vai ligar para hora ou para o lugar. O amor é sobre você e quem você escolhe amar.


NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.


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