Alice, não existe país das maravilhas.


Minha doce Alice, escrevo esta carta para lhe contar sobre um assunto que exigiria que eu te olhasse nos olhos enquanto falo, mas não possuo decência para tal feito. Assim, como o covarde que sou, escrevo linhas trêmulas de uma verdade irrefutável: O país das maravilhas não existe.

Eu queria alimentar em ti a ideia de um mundo mágico. Mas, onde estamos vivendo, os Chapeleiros, são seres que se perderam em meio à densa nuvem de maldade, e eles não estão conseguindo se reencontrar para estabelecer alguma paz nessa sociedade.

Quanto aos coelhos, correndo e olhando seus relógios, estão em toda parte. Acordam às 06:00, trabalham, almoçam, trabalham, jantam e dormem. Às vezes, amam... Mas deixam que seus amores sejam sucumbidos pela ação do tempo. Então, geram filhos, pagam pensão, algumas sessões de terapia, alguma escola integral, e bebem nos sábados a noite.

Existe uma rainha vermelha que governa com cetro de aço a vida de cada indivíduo, a ela damos o nome de rotina. Muitos sabem como derrotá-la, a fazem cair do trono por meio de um ataque certeiro, o inusitado. Mas muitos se rendem às suas ordens e viram seus súditos, esquecendo-se das maravilhas que poderiam viver fora de seu reinado.

Alice, sei que você está caindo sem paraquedas nesse buraco, mas não desanime, ainda que nade em suas próprias lágrimas, lembre-se de acordar do sonho e manter os olhos bem abertos, minha pequena... Ainda que não esteja no país das maravilhas, pode construir um mundo mágico para si mesma.

Acredite em alguma bondade escondida, busque o tesouro que o destino guarda para sua vida, lute suas lutas, Alice, você consegue. Eu sempre vou olhar por você, menina teimosa. No fim dessa história, você ainda vai encontrar a saída de seus pesadelos, mas vai precisar ser sacudida algumas vezes. Coragem!

Covardemente, 

De alguém que te olha em silêncio, que te ama às escuras, que se esconde nos becos da vida para te admirar sem ser notado. Do para sempre que não acontecerá.



NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.


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