NA NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS.




Descanse em minha pele, debruça-se em meu coração, encarando-o como se nele encontrasse um abismo, caia em mim numa queda sem fim e sem medo, porque meu chão e meu céu são seus, não existem em mim limites que possam te estreitar, paredes que possam te aprisionar, apenas o meu todo e meu tudo, onde você pode voar livremente, sem receio de se machucar, onde todos os espaços podem ser ocupados por você, e será assim, mesmo quando partir. 

Incendeia-me com as faíscas de teus olhos marejados de desejo, encravando as garras de suas incertezas em minha fraca convicção de não te querer, quando finjo que minha indiferença é maior que meu interesse, pois neste momento te quero tanto, que o infinito se apequena em comparação a tamanho sentimento. 

Eu queria que fosses capaz de absorver o ar que respiro, para saber se assim eu te inebrio com frações do meu querer, que é tanto e absoluto que não cabe em mim e escapa por entre meus poros que se aguçam ao te ver. 

Eletriza-me com seu toque, como se fosses a única fonte de energia capaz de iluminar todos os cantos escuros da minha alma, porque apenas em você reside a luz que tanto almejo, que tanto necessita a minha vasta escuridão para manter-se distante, como se até ela, quisesse uma trégua, para aquiescer com sua plenitude e capacidade de fazer de mim, sua morada, porque em mim você reside, mesmo quando vai embora, mesmo quando resolve me deixar ir. 

Mas agora eu queria poder amaldiçoar a noite em que nos conhecemos, para poder voltar a ela e me lembrar da dor que corrói meu corpo, quando já não bastei para você, mesmo depois de me fazer estrela para brilhar em seu universo, e até quando meu brilho foi atenuado e seu amor, eclipsado, fazendo do seu céu, um inferno que não me cabia, uma tristeza que não existia, mas que apareceu quando olhei ao me dar as costas, o seu fogo arder para aquecer outro alguém. 

Um dia eu poderei dizer a mim mesma, que toda essa falta que se refugia em minhas veias, como se cada bombear do meu coração, tivesse apenas o intuito de me fazer explodir por dentro ao pensar em você e lembrar que tudo o que quis e tudo o que fiz foi para te deixar feliz, como se eu pudesse por alguma razão, mesmo que deus me livre me baste a loucura, enxerguei apenas a ilusão de ter você aqui, como se o para sempre fosse apenas o amanhã que se estende diante dos nossos pés descalços ao caminhar para o norte, e não, um ser insolente com uma foice que cerceia todos os dias presentes não vividos em busca de um futuro que nunca chega, mas que sempre está lá, num horizonte, onde agora você caminha sem mim, rumo ao seu infinito de dias felizes, como fazíamos na noite em que nos conhecemos.


MARCINHA ROCHA
Paulistana, geminiana e dona de uma gargalhada que chama a atenção. Estudante de ciências contábeis, viciada em pessoas, em comportamento humano, filosofia e música e adora uma boa conversa. Apaixonada por olhares e sorrisos, ouve mais do que fala e o que não fala escreve sem parar. Intensamente viva, brutalmente apaixonada por momentos espontâneos de felicidade e praticante voraz de uma dança descompromissada.

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