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terça-feira, junho 19, 2018

Deixa eu me perder no teu sorriso


Desculpa se sem querer me apaixonei pelo teu sorriso, eu nem tive a intenção. Essas coisas meio que acontecem, não é? Pelo menos é o que dizem por aí. A verdade é que eu nunca soube bem como lidar com as coisas do coração, dessa vez não seria diferente. Sou só uma mera aprendiz nesse negócio de enxergar pouco em quem parece ter sempre mais a oferecer. E eu te vi mais fundo do que deveria, talvez eu só ache que teu olhar quis é me mostrar mais do que eu estava acostumada a enxergar. Sabe, sou coração mole, algumas pessoas me encantam mais do que o normal.

É que você me tocou sem sequer me encostar, moço. E eu te abracei com meu olhar, te trouxe para pertinho e quis cuidar das tuas angústias como se minhas conversas sem nexo e minhas piadas bobas pudessem te curar do mundo. Eu pisquei e você já fazia parte da minha insônia numa madrugada qualquer, nem tive tempo de me dar conta disso. Não tive tempo de negar ao coração a tua presença aqui dentro. Não me contive, me perdi no teu sorriso, na curva bonitinha que se forma na tua boca e acho que vou demorar para me encontrar já que a cada novo sorriso teu me perco um pouco mais. 

Moço, me explica essa sensação de inverno e verão que volta e meia aparece na tua presença. Me diz por que é que eu travo, por que o chão parece de algodão e eu já não sei bem como conversar direito?! Já te falei que não sou fã de borboletas? E talvez nem época seja, mas elas florescem aos montes aqui dentro e fazem uma bagunça danada sem pedir sequer permissão ou pagar o aluguel adiantado ao meu estômago. Você chegou tão sem querer e já confundiu tudinho aqui dentro. 

Acho que um dia eu tomo jeito, moço. Descubro a força do hábito e paro de me encantar com brilhos no olhar e sorrisos sinceros, talvez eu pare de perceber no mundo a profundidade escondida das pessoas. Tomo jeito e deixo de lado os sorrisos bobos que me encantam com facilidade, te deixo pegar na minha mão, entrelaçar teus dedos nos meus e passo a reconhecer o teu perfume mais de perto. Talvez eu tome jeito de uma vez por todas e pare com essa mania de poetizar todas as coisas e quando isso acontecer, quem sabe você crie coragem e me deixe te olhar e não ver só o desenho abstrato da tua íris, mas o que tem lá dentro do teu coração. Talvez até me permita conhecer o motivo dos teus sorrisos de canto que me encantam tanto. 

Chega de mansinho, mas chega, moço. Vem mais pra perto, não faz isso de esbarrar teu corpo no meu, te tocar de leve me causa arrepios. Não deixa tua pele só encontrar a minha num rápido segundo, pega minha mão com vontade, me coloca no colo e troca esse abraço que só meu olhar já trocou. Deixa eu te sentir aqui perto, diz para mim, com essa tua voz calmaria que também sou motivo de alguma das tuas insônias, que aquele bobo sorriso por qual me apaixonei foi só uma tática pra me trazer pra perto. 

Chega devagarinho, sorri mais uma vez, deixa eu me perder no teu sorriso. 



GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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