UMA PRISÃO CHAMADA PASSADO


Não sei explicar o motivo exato, só sei que de repente você está ali, paralisado, (re)vivendo em sua memória um momento que já deixou de existir. Ainda que seja um momento aparentemente positivo, o passado é uma espécie de prisão sem correntes e sem grades. Uma espécie de eco que repete o som, mas não o cheiro, o gosto ou os sentidos.

Quantas vezes não somos vítimas do pensamento de que é lá no passado que reside o que mais nos importa? Não notamos que o passado nos faz esquecer a importância de estarmos aqui, no presente. Se estamos tristes, revivemos momentos bons e comparamos eles com os momentos atuais, desejando aquilo que se foi e desconstruindo as possibilidades do que temos. Se estamos felizes, somos vítimas da nostalgia, que nos empurra para os traumas e dores que parecem irreparáveis, nos fazendo desmoronar o castelo que nós mesmos construímos no agora.

O passado é irrevogável. E reviver memórias é se torturar pelo que já se foi. Sonhamos com toda força ter a possibilidade de nos atirar no passado só para resgatar alguma sensação que foi embora, ou para mudar algum caminho ou decisão tomada e que, agora, parece ter sido a pior das escolhas.

O passado é desnecessário, não há por que manter ele no presente.

Uma coisa é certa, você não usará o seu passado para absolutamente nada. O que deve guardar são as lições aprendidas com ele, as marcas que te fizeram amadurecer, a beleza dos caminhos percorridos que te ensinaram sobre a vida e os amores que te construíram e te tornaram quem hoje você é. Todo o resto deve ser esquecido. Viver compreende olhar para frente, sempre.

Meu avô, na sabedoria de seus oitenta anos, dizia que se fosse para vivermos olhando para trás, teríamos olhos em nossas nucas, ou retrovisores presos em nossas cabeças. Nem sempre é possível evitar o desejo de voltar os olhos para o passado. Nem sempre é possível resistir à tentação de repetir antigas histórias e personagens. Mas, quando fizer isso, busque apenas a força que precisa e mantenha-se no presente, que é o único lugar que realmente importa e existe.

Aceite corajosamente que o seu caminho é em direção ao futuro, e não permita que o passado roube de você a liberdade do instante.



CAMILA HELOÍSE
Nasci no interior de São Paulo e foi naquela pequena cidade que aprendi sobre as melhores coisas da vida: amar, ter esperança e fé, perdoar e seguir em frente. Eu me formei em Jornalismo, me especializei em Redes Sociais e Inovação Digital e atuo na área há 11 anos. Escrevi “O Amor é o que Vem Depois” pela Editora Penalux, meu primeiro livro de contos e sigo apaixonada pela vida e pela mente humana. Sofro de uma ansiedade crônica, porém, vivo com otimismo e entusiasmo e acredito no imenso poder da nossa mente. 

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