EU GUARDEI VOCÊ


Eu te guardei num potinho com água e glitter azul. Pote da calma. Pra lembrar a calmaria que você transmitia sempre que eu explodia. Vou chacoalhar toda vez que eu precisar explicar minhas angústias a mim mesma. Eu te guardei dentro do bolso do meu casaco de lã. Pra lembrar de procurar abrigo no frio, porque era no meu bolso que nossas mãos descansavam enquanto se aninhavam, esquentando tudo lá dentro, me fazendo esquecer o frio que fazia do lado de fora. Eu te guardei num quadro com moldura de bambu. Pra lembrar que os melhores presentes não custam caro e nem precisam. Que presentes, como fazia você, artesanal ou não, só tem valor quando é dado de coração.

Eu te guardei na esquina da minha casa. Pra lembrar que eu realmente não sei andar de salto alto e que eu devo mesmo usar tênis, pelo menos pra passar naquela esquina, onde eu sempre tropeçava e você me segurava. Eu te guardei na gaveta do trabalho, rabiscado num papel de rascunho. Pra lembrar de tomar água, toda vez que eu abrir a gaveta procurando doce. Também te guardei no porta luvas do carro, pra lembrar de ter sempre lenços, porque minha alergia não tem hora pra (me) atacar.

Eu te guardei na minha playlist. Pra lembrar que não preciso trocar de música, quando a nossa música tocar. Ela me traz sorrisos. Você também tá guardado na minha TV. Pra lembrar que eu não preciso aprender a gostar de uma série nova, posso continuar vendo a série que víamos juntos, sem você. E tá tudo bem. Eu te guardei com doses extras de gratidão na alma. Pra lembrar o bem que me fez e que falar mal de ex é coisa de gente pequena. Que ser grata por pessoas que passaram na minha vida, deixando estrago ou conserto, deixa aprendizado. E isso me faz ser mais leve.

Eu te guardei num órgão muscular, dentro de uma caixa torácica, embrulhado com um laço bonito. Pra lembrar que coração não existe só pra bombear sangue, existe pra guardar o que nos faz bem.
Eu guardei você.


ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

Postar um comentário

My Instagram

Copyright © O amor é brega. Designed by OddThemes