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O AMOR


O amor é um inquilino que não paga o aluguel, mas eu não quero despejá-lo. O amor pega um trem e invade a estação da minha vida, desce no túnel, sobe as escadas e me olha como se eu estivesse o esperando... droga, ele sabe. O amor não bate à minha porta, ele invade a minha casa, que está bagunçada, só para variar. Ele tem um senso de humor bizarro e ri de mim por tentar disfarçar a saudade que sinto quando ele está longe. O amor é um metido, convencido, que me ganhou.

O amor não respeita o fato de que eu fiz as pazes com a solidão, ele não liga para a minha decisão. O amor me destrói, me desconstrói e me refaz... Quando eu não imaginava que poderia ser refeita. Ele não liga se eu disse que passaria o ano estudando, nem mesmo respeita o emprego que eu não gosto, ele me faz largar as correntes e correr, mais do que eu pensei que pudesse.

O amor não ouviu a promessa que eu fiz quando vi alguém, que amava também, morrer miserável na cama de um hospital público. A promessa dizia algo sobre ter sucesso, mas o amor me mostra que sucesso é amar, e só. Então o amor me leva a crer que estou cumprindo essa promessa, quando amo sem pensar demais, quando choro sem medo de mostrar a alma e quando rio sem calma e sem parar.

O amor não quer saber as minhas opiniões políticas, não liga para o rumo que o país toma, congela minha preocupações e, enquanto está por perto, não quero nem saber da economia, afinal, eu não preciso de dinheiro para amar. Amar ainda é de graça, mas a gente esquece e quer comprar algo para trazer a felicidade que só o amor traz.

O amor deve ter me feito uma sonhadora, romântica, ridícula... Mas também me fez esquecer quem eu era antes de conhecê-lo. O amor é como viajar de avião pela primeira vez, sabe quando você sente que seu corpo descolou da cadeira? Parece flutuar... Mas todo amor é o primeiro, então, para quem ama é sempre o primeiro voo.

O amor apaga o passado, ou ao menos, apaga a gravidade daquilo que passou. Amar é esvaziar e encher, esvaziar-se do que foi, encher-se do que chegou e torcer para que fique. Todo mundo deveria amar, pelo menos uma vez ao dia... Enquanto escrevia, o amor me modificou tantas vezes que só posso dizer que amor é tudo que sou, ainda bem.

NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.


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