MONÓLOGO



E aí, vai ficar me olhando o dia inteiro? Parado, inerte? Com essa cara de trouxa que sempre faz quando te humilham na escola, no trabalho e até mesmo quando sai com seus (poucos) amigos? Eu não preciso disso. Nós nunca precisamos.

Seu mal é este: não se manifestar, não se por em posição de destaque. Não se por e não se impor. Quantas vezes se calou diante de situações nas quais você estava certo? Já se perguntou isso? Se você for contabilizar, vai ver que foram tantas vezes que você não levou o crédito pelo bom desempenho de suas funções e atividades...

Seu perfil é o do aluno que faz o trabalho, coloca o nome do grupo todo e, sequer, ganha um “muito obrigado”. E sabe qual é a real: às vezes, a gente tem que ser o bagunceiro do fundão. Tem que meter o louco e dizer o que pensa. Tem que esbravejar pelos quatro cantos do mundo pra ser ouvido. Tem que lutar pelo que se acredita, por tudo aquilo que se almeja. Tem que resistir, persistir, não desistir. Tem que bater na mesa e apontar o que destoa.

Tudo na vida tem um basta, e esse tem que ser o seu! Porque não adianta ficar aí parado na frente desse espelho, olhando pra mim e não tomar providência. Eu não aguento mais olhar pra você e sentir pena. Quero olhar e me ver, ver todo essa revolta sendo o combustível da mudança.

Esse reflexo que te fala,  nada mais é do que a sua parte que você não consegue externar. Eu sou você, um pouco mais insano e cheio de vontade de ser mais no mundo. Cheio de vontade de ser reconhecido pelo que faço, cheio do desejo de jogar no ventilador tudo de errado que nos cerca. Vamos colocar ordem no recinto, por que a Mãe-Joana não mora por aqui.

Agora vai lá e me leva pra conhecer o mundo do qual você se fazia ausente por puro medo de protagonizar sua própria vida. Porque julgar, todos querem. Ter competência pra isso, só Deus!


EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

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