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ME SENTIA SÓ, ENTÃO ESCREVI ESSE TEXTO



Ainda não é inverno, mas o vento frio lá fora bate na janela com a força de quem tem algo a dizer. Já faz algum tempo que durmo e acordo sozinho. Cercado por paredes de concreto e olhando para um teto que mais se parece alguém apontando os meus erros. A solidão me visitou, me abraçou e conversamos por horas como dois amigos que não se viam há muito tempo. Solidão é uma coisa estranha, aqui fora está tudo cheio, as vozes, as flores, as risadas, as amizades, mas aqui dentro o vazio é ensurdecedor. Só que para preencher o vazio de dentro; o que procuro não está do lado de fora.

O pensamento voa e eu não pude reparar o quanto a solidão rouba o tempo. Na mesma hora que dá vontade de ficar longe, quieto, com o coração pequenino, enjaulado em grades invisíveis, dá vontade de correr, de gritar e procurar respostas que eu sequer sei as perguntas. Muitas pessoas passaram por aqui durante esse tempo. Trouxeram todo o tipo de coisas. Mas não trouxeram a cura para a invisibilidade que a solidão trouxe em um embrulho não tão bonito.

A solidão assusta, mas ela também ensina. É uma chance de se encontrar com você mesmo, de se conectar com o interior, de nos conhecermos melhor, de saber o que vale a pena, de sermos nossa melhor companhia.  A solidão é uma oportunidade de conhecer esse vazio interno e de arrumar a casa. A paz interior é a melhor aliada para enfrentar qualquer guerra.

Mas um certo alguém nunca deixou de me visitar enquanto eu estive só. E esse alguém sempre me diz coisas boas sobre a vida e me dá forças para poder seguir. Me ensinou que o que vem de fora, vem para somar, e não para preencher o vazio de dentro. Que a solidão é um processo de autoconhecimento e crescimento. Às vezes você tem que levantar sozinho e seguir em frente. E esse alguém é feliz, tão feliz que às vezes também se esquece de que uma hora vai se sentir só.

 Mesmo com uma certa insônia e com os olhos já cansados de escrever, eu decido tentar dormir e me dar a chance de sonhar com algo bom. E esse alguém, que esteve o tempo todo aqui me observando da poltrona, decide me acompanhar. Ele tem um sorriso tímido no rosto onde se enxerga que as dificuldades da vida que, apesar de muitas, nunca foram o bastante para assustar aquele coração. Ao me olhar no espelho para escovar os dentes, me reconheci. Esse alguém sou eu.



FERNANDO SUHET.
Um pisciano romântico e cabeça dura. Palavras e músicas ditam sua ordem. Apegado aos sentimentos mais simples e completamente ligado à família. Fiel aos poucos e verdadeiros amigos. Acredita na força do amor e, principalmente, na necessidade de solidariedade.

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