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MULHER


Não é o sexo frágil. Ela é dona de si. Do próprio nariz e das escolhas que faz. Não tem tempo pra abaixar a cabeça. Ela se constrói. Acontece. Vibra. Existe. Ela não compete com padrões. Veste sonhos, calça a independência e vai lá pra fora. Não espera sentada. Não cruza os braços. Mas faz beicinho quando a vida fica puxada. Ela se cura. Se destina. Não se obriga a ser quem não é. Está na chuva pra se molhar. E não faz feio. 

Ela arca com suas ações. Desdobra o tempo, mas não faz milagres. Não é coadjuvante de sua trajetória. Se divide entre a mocinha e a vilã. Não sossega. Está sempre vindo e indo. Criando metas malucas e sorrindo de canto quando tudo acontece melhor que o planejado. É virtuosa. Não se vislumbra. Dança conforme a música, mas não deixa de se impor. Ela não só sabe onde quer chegar, como também sabe o que merece. 

Chega de dizer como tem de ser. Ela mata seus leões por dia e não é a toa. É carta fora do baralho. Surpresa. Não se define em lacunas. Impossível de se prevenir. Ela age por impulso sabendo que vai arcar com as consequências e renasce sempre mais forte. Não sabe ser indiferente. O coração é bom. Se doa sem pensar duas vezes. É ótima curando feridas, abrindo caminhos, incentivando sonhos e apagando picos de incêndio que sequer começou. Ela não precisa de pedestal, ela sabe o lugar dela no mundo e não aceita menos. Ela chora quando não tem ninguém olhando, se chateia com a descrença e a divisão injusta que insistem em criar, mas não desiste de ser quem ela é. 

Mulher é somatória de tudo que já deu errado acrescida de uma esperança absurda de que tudo pode se acertar se você tiver paciência, e ela tem. Porque ela sabe pausar pra olhar pro lado. Sabe ser abrigo diante do caos. Sabe duelar quando a guerra do preconceito a chama. Ela é mil em uma só. Carrega fardos sem esmorecer. Ela transborda, mas também sabe a hora exata de se conter. 

Briga consigo e com o mundo. Não vence no grito, mas no jeito. Desenvoltura não falta. Sensibilidade guia. E a intuição, não falha. Se salva sempre que pode e quando não, se reinventa de novo. E de novo. Foge as regras. É a mais bonita das exceções. Ela sente. Vive a flor da pele. Guiada por suas emoções e hormônios. Ela é a resposta mas também a dúvida. E quando se ausenta faz uma falta danada. É equilíbrio. Dose exata de loucura.

Mulher.

MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.

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