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Mis "YO"



Há um tempo li um artigo onde o escritor contava sobre suas tantas personalidades e vontades. Me identifiquei. Porque queria ser sempre serena, mas às vezes a 'loucura' me invadia. Me sentia muito madura e no segundo seguinte já estava me culpando por ser infantil. Pensava mil vezes e ainda assim escorregava na tentação do impulso. 

Com o tempo minhas características foram seguindo o percurso, mas ainda estão em cada gota que compõe o meu rio. Um dia falei sobre isso com minha psicóloga, como se eu fosse muitas, parece que cada hora um 'eu' diferente toma o controle. Então ela disse que tudo isso que parece alguém diferente, que parece tão contraditório, tudo isso sou EU. A caixinha de lápis está composta por várias cores, e ainda é uma só. Ela pode sair colorindo mil estrelas, até o mar, depende da cor que escolher, mas ainda é uma só. A caixinha de cor. E toda essa coisa que parece uma grande bagunça é a minha caixinha colorida. Que lindo, não é? 

Quantos cabem dentro de um só. Quantos podemos ser em uma única vida. Nas certezas e nas dúvidas. Nos medos e na coragem. Na tranquilidade e na rebeldia. Às vezes mais noite, depois mais dia. Na alegria ou tristeza. Gargalhada ou choro. Na festa. Melancolia. Nostalgia. Em par ou singular. No sossego ou no caos. Música agitada ou acústica. Olhos que enxergam além. Na carne ou na alma. Na conversa ou na escritura. No vestido ou despida. Paixão ou amor. Indiferença. Humor. Falta de humor. Atitude. Espera. Paciência. Na queda ou no voo. As asas, céu ou ninho. 

Em cada trechinho, até o ponto mais imperceptível. Cada cantinho, até aqueles que a gente mostra pra poucos. Tudo isso é o nosso universo. É tão bonito. Nos gestos, as frases. A voz ou o silêncio. A chuva ou o sol.  No beijo, abraço, colo. A saudade contida. O coração que se declara quando bate mais forte. O arrepio que canta a canção da pele. Lindo é quando estamos em casa, quando sentimos que achamos nosso lar. Quando alguém é porto seguro. Quando nos tornamos nossa própria viagem. O destino nem importa porque todos os dias são dias de descoberta. É aquele pássaro que borda o entardecer e volta no fim do dia. Sempre podemos partir, ser errantes. Sempre é bom lembrar que é bom se aventurar. 

A gente mostra uma estrelinha cadente, mas só pra quem é nosso lar que abrimos o peito e deixamos exposto para transbordar todas as galáxias. Tão bonito saber que caminhamos no meio da multidão, e quando menos esperamos, a colisão acontece. O acaso nos pega. A coincidência enlaça. O destino vira dádiva. E sem nem perceber começamos a acreditar. Porque não somos bichos de visão, somos de sentir. 

NINA BENAVÍDEZ

Uruguai, Montevideo. Ela é aquela moça que escreve, quer ser psicóloga. Acredita em sonhos. Adora fotografia, apaixonada pela arte. É composta por abraços, chá e girassóis. Ama tardes de sol. Livre feito pássaro, mas pássaro pequeno que ainda está aprendendo a voar.


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