OBRIGADA POR CHEGAR


Eu era puro caos quando você chegou. Tudo dentro de mim era bagunça, meus sentimentos estavam atordoados, minha cabeça doía constantemente e meu coração estava em pedaços. Não te vi chegar, confesso. A verdade é que eu não enxergava muita coisa além de mim, além dos meus problemas, além dos meus frangalhos espalhados no chão da sala, junto com o resto de um amor que tinha ido embora sem pestanejar nem olhar para trás.

Eu era os destroços de uma grande tempestade e, mesmo vendo toda a minha ruína, você se aproximou de mim sem pensar. A vida havia me golpeado tão ferozmente que ainda estava impactada com a pancada. Muito de mim não acreditava que era possível deixar de ser de alguém assim tão rápido, ser tão descartável quanto um copo plástico. Estava tão concentrada às minhas dores que confesso, mais uma vez, que não te vi chegar. Talvez pela dor que me abraçava naquele momento ou por estar distraída demais ao cuidar das minhas feridas.

Mas você veio, de mansinho. Você chegou com cuidado e cheio de carinho. Me ofereceu um copo d’água e se ofereceu para ajudar. Eu te olhei sem entender e você deu de ombros: “ajudar com a bagunça, te ajudar a recolher os cacos, ajudar com o que ficou e, sei lá, cuidar de você”. Eu te olhei, novamente, sem entender, sem te querer, sem nem me dar conta do tanto que eu precisava de você por perto, do tanto que eu te queria por perto e de como te ter ali, me juntando pedaço por pedaço, me fazia bem.

E quando dei por mim passei a ser nós e todos os meus nós antigos se desataram. Deixei de conjugar o verbo no singular e passei a ser plural contigo. É gozado como a vida tem dessas coisas; de uma hora para outra nos reconstrói e nos coloca novamente de pé. Hoje depois de tantos naufrágios eu percebo que, nem sempre ir ao fundo do oceano é tão ruim, embora a água salgada em nossa garganta nos queime agora. E exemplo disso é você que me fez enxergar que há sempre um lado positivo nas questões da vida. Que nem toda perda é perda e que muitas vezes nós precisamos nos perder para nos encontrar.

Texto escrito em dupla pelas colunistas: Mafê Prosbt e Pâmela Marques.

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