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I'm Felicity!


Estava sentada na poltrona, coberta com um lençol muito fino, os cabelos feito ondas, pés encostando levemente no chão frio. Gostava quando Will resolvia me fazer de modelo, improvisava um cenário e tirava fotos. Seu olhar era todo para mim. E eu me convertia em seu sol, sua musa. Sua arte. Ali, vestindo só um lençol desbotado, com a única luz do amanhecer que entrava pela janela. Ele dizia que eu ficava linda depois de ter sido amada uma noite inteira. E era verdade, me olhava no espelho e me sentia diferente, como se nosso amor tivesse costurado meu corpo com fios invisíveis. Seus beijos tinham bordado meu corpo por completo. 

Não me importava estar praticamente nua na sua frente, gostava de ser admirada. Gostava de ser admirada por ele. Ver seu olhar de artista e de homem. Vê-lo percorrer cada centímetro da minha pele. 

- Você é linda, Felicity. Linda. 

E eu sabia que ele não estava falando só da minha aparência. Sabia que estávamos apaixonados um pelo outro. Como se fosse uma fusão. Combustível que movia meu instintos. Assim éramos nós, seria impossível ter sido assim com outra pessoa, não existem dois iguais. E nas tantas mudanças que experimentamos durante a vida, que sorte a nossa viver esse encontro, nesse tempo. Tempo que levamos a alma escancarada y sedenta. Estávamos tão cheios de vida. Como os girassóis que procuram o sol. 

E nos amávamos. No tapete da sala. De um jeito lento, sentindo com todos os sentidos, todos os gostos, experimentando os sons. Sentindo sua invasão enquanto minha carne cobria a sua. Minha boca era deserto, até seus lábios levarem a chuva. E eu era flor. Tão frágil. Tão mulher nas suas mãos. Meu corpo trêmulo, nos últimos movimentos, antes de adormecer nos seus braços. Até o coração acalmar. Antes de ficar colada junto ao seu peito, sentir seus dedos nos meus cabelos e ouvir alguma coisa feito sussurro. Nós nos amávamos na cozinha, nas escadas. Muitas vezes nos amamos olhando o céu das noites de verão. O vento da noite se misturava ao calor que Will provocava. 

Às vezes estava pintando meus quadros, mal ouvia seus passos, então ele me abraçava, beijava meu pescoço e dizia: - A rua com seu cheiro cinza não me fez esquecer teu perfume. 
E ficava enroscado em mim. Nossas pernas. Minhas coxas nas suas mãos. Eu por inteira, completamente, sua, sem deixar de ser minha, assim mesmo sua. Desejava seu toque, todo tempo. Seus dedos que abriam a porta, só para desejar ainda mais tê-lo dentro de mim. 

Poderei amar outras vezes. Sentir paixão novamente. Mas não como fomos nós. Não existem mais pessoas assim. Nós sentíamos cada instante. Desfrutamos. Sabíamos viver com ânsia. Serei de outros, assim como ele também. E mesmo depois de termos perdido tantas coisas, sei que sentimos nossos corações bater em um ritmo diferente só de lembrar. Nós fazíamos dos nossos instantes a poesia mais bonita. Carregamos constelações em um retinas. Mil existiram, mas ninguém será Will.


NINA BENAVÍDEZ

Uruguai, Montevideo. Ela é aquela moça que escreve, quer ser psicóloga. Acredita em sonhos. Adora fotografia, apaixonada pela arte. É composta por abraços, chá e girassóis. Ama tardes de sol. Livre feito pássaro, mas pássaro pequeno que ainda está aprendendo a voar.

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