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JUNTAR TEMPO PARA POUPAR A VIDA


Do outro lado da esquina, numa via lateral da movimentada metrópole urbana é possível desligar da agitação por alguns instantes e reparar a mensagem que cada um repassa sem expressar sequer uma palavra. Em meio ao estridente ruído dos carros e submerso pela espessa cortina da insalubre fumaça reparo uma jovem de trinta e poucos anos correr para alcançar o ônibus que a faz perseguir o longo trajeto que delimita o caminho da sua angústia diária. Neste instante, nem sei por qual razão, me lembrei da minha última conversa com minha adorada mãezinha dizendo para não arrefecer nosso contato diário, pois segundo ela, a voracidade do tempo estaria aniquilando as relações humanas.
Geralmente, é quando estamos longe de quem amamos que passamos a reparar e conceder a devida importância nesses gigantescos detalhes que outrora pareciam não fazer diferença. Deve ser este o motivo que desperta o arrependimento/saudade quando se perde alguém e descobre-se que dali em diante cessou-se as possibilidades de manifestar todo afeto reprimido. A partir de então nos agarramos na promessa espiritual de um posterior reencontro em outro plano – talvez idealizando corrigir algumas burradas da dedicação que fora suprimida em função do tempo.

Fico aqui pensando na roleta russa que é a nossa vida e nem sempre nos damos conta. Ao sair de casa para enfrentar e vencer nossos compromissos corriqueiros estamos sujeitos aos perigos da vida de modo que, corremos sério risco de não ter a oportunidade de voltar ao seio de quem amamos e dizer tudo aquilo que, por força do péssimo hábito deixamos pra depois. Eu, por exemplo, tenho vários beijos e abraços pendentes no meu estoque e sempre digo a mim mesmo que os entregarei ao destinatário assim que encontrar tempo hábil. Será?!

Ouvi dizer que existe um filme que narra este meu pensamento momentâneo – porém não tive “tempo” ou curiosidade de assistir ainda. A história trata a comercialização do tempo, tal qual ocorre em nossas rotinas. Não obstante caracteriza a mais nua e crua realidade, afinal é justamente isso que passamos uma vida inteira a fazer – vender nosso tempo. Acho que inventaram a cédula financeira apenas para tentar, de algum modo, amenizar a carga negativa do fator cronológico. Imaginem como seria pesado e rude algum patrão dizer que está disposto a pagar um salário x, vale transporte e refeição em troca de suas míseras 44 horas semanais. Contudo, monetizaram o tempo suavemente num perpétuo financiamento de vida.

Já dizia o ditado: tempo é dinheiro. Concordando ou não, descobri da pior maneira possível que eu não passo de um compulsivo e descontrolado consumidor de horas. Bem como manda o figurino daqueles que não sabem ou conseguem poupar, eu sigo a rota dessa ampulheta como se a reserva fosse infinita. Tenho que aprender a gerenciar melhor o tempo que disponho sem sequer saber o saldo.

Portanto, se cabe um conselho (que infelizmente ainda não aprendi seguir), procure dedicar tempo ao que realmente importa. Abrace e dedique atenção de forma desregrada. Não queira ver a dor da saudade duelar com o histórico das coisas que poderiam ter sido feitas e não foram, porque a vida é agora e o futuro não passa de uma indecifrável incógnita.



DIEGO AUGUSTO.


Mineiro de Belo Horizonte, engenheiro de produção por profissão e escritor por paixão. Amante da vida e das pessoas, acredita que os sonhos embalam a vida e o amor propulsiona os sonhos. Odeia o mais ou menos e pessoas que querem progredir cedo acordando tarde. Apreciador de cervejas e conselheiro de temas que pautam as mesas de bares.

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