Follow Us @soratemplates

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Ei, mulher!



Ei, por que sempre desvias o teu olhar quando vou de encontro a ti? Por que nunca me olhas diretamente nos olhos como eu o faço? Acaso não sabes que também tenho feridas e que elas sangram diariamente assim como as tuas? Afinal, são elas que nos reafirmam que somos humanos e que nos motivam a andarmos de modo cauteloso entre os arbustos espinhosos da vida. Tuas feridas, mulher, nos aproximam mais que tu podes pensar.

Ei, mulher, por que tu nunca ergues teu olhar pra me ver? E por que insistes em não deixar cair essas lágrimas que te turvam as íris? Deixa que caiam, mulher! E no seu percurso, permita que elas lavem tua alma de todas as impurezas, mazelas e dores. Ao contrário do que pregam por aí, mulher, chorar não é análogo a ser fraco. É sinônimo de ser forte, de ter asseio com o próprio espírito, é permitir esvaziar-se das coisas que fazem mal para que os espaços possam ser preenchidos de novos e bons sentimentos.

Então, mulher, por que te privas das coisas que tanto gostas? Por que te fechas, te enclausuras, te amordaças perante tudo e todos? Ainda não te cansaste de viver para os outros, de viver para um mundo que não vive por ti? Tu, mulher, és livre para ser e viver o que bem entendes. Tuas tarefas estão sempre em dia e não há com o que se preocupar senão contigo mesma.

E por que ainda te importas com as falácias sobre a teu respeito? E não, não deves abaixar a cabeça para que não a percebam na rua e comecem a murmurar. E não, não deves vestir-se de acordo com o que pensam sobre ti. E mais uma vez não: não deves andar na linha que desenharam para ti no chão a giz. Tu nem sabes onde ela vai te levar. Desenhe, tu, tua própria linha. E não a giz, desenhe-a com tinta spray, daquelas que nem a chuva e nem o tempo possam apagar, para que saibam que tu, mulher, não deves nada a ninguém e és capaz de trilhar teus próprios caminhos.

Tu, mulher, não deves dar ouvidos àqueles que, sequer, conseguem chamá-la pelo nome. As pessoas têm o péssimo hábito de acharem que são donas da vizinhança e juízas do quarteirão. Mas tu não tens porque sentir-se ré perante nenhuma dessas pessoas. Nunca entristeça-se, abaixe tua cabeça ou concorde com quem muito fala de ti e pouco faz pra te auxiliar. Essas pessoas, mulher, não te conhecem assim como eu e jamais saberão o quão fantástica tu podes te tornar. Elas, na verdade, procuram justificar suas fraquezas criando outras diferentes a sua volta.

Ei, mulher, não prives o mundo de ver teu sorriso que é luz em meio à escuridão. Não deixes que o maior presente que Deus te deu se perca em meio ao caos que é viver. Tu, mulher, és vida, és garra, és força. Tu és o melhor da tua raça!


EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário