O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

VOCÊ FOI UM RISCO QUE EU TOPEI CORRER!


E estava até me saindo bem. Sabia que você não era fácil, sempre geniosa, às vezes soava com arrogância. Sempre soube. Sabia de suas manias, seus defeitos, suas limitações, suas ambições. Na real, eu te estudei bastante a ponto de saber que o terreno no qual eu pisava era movediço o suficiente pra me derrubar caso eu não tivesse jogo de cintura. E fui: meti o louco e me arrisquei, não como quem arrisca sua própria vida se jogando de um precipício à beira-mar esperando que a porção d'água na qual vai cair não possua pedras. Me arrisquei como quem come um pastel na rodoviária e não sabe se passará bem ou terá uma intoxicação alimentar ao fim do dia. 

E me intoxiquei! É, você realmente cumpriu com todos os papéis que te pintavam. E olha que eu tentei: dei o melhor de mim e recebi de você apenas aquilo que você sempre se demonstrou capaz de dar aos outros. Não me surpreendi contigo e com suas atitudes de menina mimada/egocêntrica. Acabei me surpreendendo comigo mesmo, pois achava que meu senso altruísta poderia transformar as pessoas em coisas que elas, talvez, nunca tivessem desejado ser. Mas não pôde... não com você, ao menos.

Mas não guardo mágoas, rancor ou nada do tipo. Afinal, como já disse, eu sabia bem qual o trem que estava pegando e onde ele poderia me levar. Guardo o que aprendi durante a viagem: não posso mudar a essência das pessoas. E talvez eu não deva tentar esse tipo de coisa, não faz parte da minha jurisdição nesse mundo. Não pense que te desejo o mal, guria. Te desejo apenas o bem, aquele que você não soube fazer a mim mas que eu, ao contrário, te fiz em todos os momentos que passamos juntos.

A vida tem dessas: nem sempre somos capazes de cumprir com os desafios que topamos. O que não nos torna piores que ninguém, apenas nos mostra que há coisas com as quais podemos lidar e outras não.


É vida que segue...


EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

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