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sexta-feira, dezembro 22, 2017

PARA ANA, COM AMOR



Querida, que saudade! Sinto falta de nossas conversas calmantes. Andamos meio meia boca nesta vida corrida. Andei ocupado esses dias, você bem sabe, pois anda mais ocupada que eu. Invejo sua vida - tu bem sabes, já que todo dia faz tudo sempre igual, porém faz o que gosta.

Sincera amiga, o sonho é ópio que não permite ver com clareza a cruel passagem do tempo. Ando escrevendo pouco, paredes não inspiram. Acho que vidas brandas não dão bons poemas a respeito de nada. O sofrimento do amor é o responsável legítimo por belos sonetos. Quem melhor que alguém de sentimento reprimido, desejoso da liberdade, para descrever a falta que ela faz? A ausência do objeto de desejo é mais inspirador - admito - do que a simples descrição de algo que se tem em mãos.

Talvez discorde de mim, minha cara, mas quando sofremos por amor os versos são mais doces.

Me perdoe se insisto à toa. Quem sabe a felicidade chegue perto de nós e queira ficar. Entendo perfeitamente essa constante armadura que carregamos. Ela pesa às vezes, não é mesmo? Ficar sem ela é arriscado e, aprendemos, há muito, que é melhor não arriscarmos. Pode ser que, em algum momento que fiquemos um pouco vulneráveis, alguém nos pegue desprevenidos. E aí então não terá mais volta.

Deveria, pela boa educação, há algumas linhas atrás, perguntar como vai. Não o farei. Conheço todas as tuas respostas. Sei que sempre vai bem, até mesmo quando não vai. Sou admirador da sua mania de sempre ser forte. Lembra quando eu brincava que era a minha heroína, dessas de histórias bobas que salvam o mundo com um laço? Você sempre sorriu da minha inclinação a fantasiar com super-heróis.

Sei bem que estamos cansados, querida. Não minta para mim, conheço seu cansaço; está tarde, preciso dar comida ao gato. Amanhã talvez tirarei uma folga. Provavelmente não. Responda quando puder. Sei bem que lê minhas mensagens e não responde, mas mande notícias para eu saber que está tudo bem. Me preocupo contigo, querida. Sei que não acredita quando digo, mas sinto saudade. 

VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola. 

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