MORADA!



Tempo que se demora em adiar nossos encontros. Tempo que te traz e te leva, entre idas e vindas das moradas que já sentimos que nos falta. As moradas que hoje temos já não são suficientes, desde que passamos a fazer morada um no outro e, apesar de inquietante, é tão mais gostoso sentir que pertenço a esse novo lugar: seu coração.

Pertencer a alguém, ao contrário do que comumente pensamos, não é ser posse desse alguém, e sim, sentir-se pertencente. Em casa, em segurança. É dar tanto de si e sempre ter algo em retribuição. É bem perto daquela máxima de que “amor com amor se paga”. Quando encontramos alguém para ser lar com a gente, damos amor até sem querer dar e recebemos tanto, mas tanto amor, que por vezes não cabe somente no peito e transborda. E transbordar é se derramar, alcançar a leveza de amar sem pressa, mesmo que o tempo - aquele que envolve a distância – teime em apressar. 

O tempo, para quem ama e quer fazer morada no e com o outro, exerce muitas vezes o papel de vilão. Mas esse vilão é mais que querido, pois ainda que seja agente causador de saudade, é ele quem abre espaço para os encontros e, mesmo que acelerados pelas demandas da vida, o tempo ainda é quem os permite acontecer. Conciliar a saudade, o amor e o tempo é um desafio e tanto. E pensar que todos eles coexistem num lugar de morada é de fazer doer o peito, com tamanha beleza e verdade.

Nesse lugar, que é na verdade um coração pulsante e real, vou fazendo minha morada, aconchegando por entre o peito e o abraço, aquietando os sentimentos e pensamentos e deixando que o tempo - e apenas ele - permita que a distância se encurte e caminhemos lado a lado, dia a dia, até o fim de todos.


MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

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