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quarta-feira, dezembro 20, 2017

Eu quero a síndrome de Benjamim Button



Se ainda existe alguma dúvida da constante insatisfação humana em torno da própria condição atual eu não sei, mas é fato que sempre estamos a colidir com nossa realidade, querendo sempre mais disto ou menos daquilo para “supostamente” alcançar a falsa impressão de completude num campo qualquer da vida que esteja inadequado aos nossos olhos. Dinheiro nunca é o bastante, nosso corpo nunca parece legal e até mesmo o clima vive a nos surpreender – às vezes frio, quente ou chuvoso demais.

Não sei se é uma reflexão muito particular ou se outras pessoas se identificam, contudo, sempre neguei minha idade por exemplo. Quando criança adorava “brincar” de ser adulto e simular condições precoces de responsabilidades que não eram adequadas àquela realidade. Quando adolescente, prosseguia neste mesmo prisma – chegando a adulterar a idade em cadastros de redes sociais. Hoje busco um método para ao menos parecer mais jovem, mas aí me pergunto: quantos anos eu tenho mesmo?! Sinceramente nem sei mais!

Toda esta revisão cronológica me veio à tona após um almoço, num dia qualquer, enquanto presenciava uma criança subindo na cadeira para atingir a mesma altura do pai. Naquele instante olhei no fundo dos olhos de todas as minhas responsabilidades, medos, anseios e me bateu uma saudade enorme da infância que joguei na lata de lixo – pura e simplesmente para avançar a etapa que cedo ou tarde chegaria; e chegou!

Agora se resolvo me fazer de criança, certamente serei tachado de demente ou negligenciador de realidades, uma espécie de fobia etária que o mundo ainda não desenvolveu cura, nem tão pouco estudou as causas. Minha vontade, às vezes, é encontrar a síndrome que acometera Benjamim Button e retroagir toda inocência puritana que se foi junto aos carrinhos que deixei sobre a estante que não tenho mais acesso.

Ah! Se você soubesse a saudade de levar broncas por apenas deixar a toalha molhada sobre a cama ou par de meias espalhadas no chão do quarto. Sobre a preocupação em esconder (e não ser descoberta) as latas de leite condensado que abria para tomar até sentir enjoo. Sinto falta até mesmo de levar algumas palmadas do chinelo Samoa da minha mãe (clássico dos anos 80 ou 90) que amortecia as dores junto ao seu solado de revestimento macio – mesmo minha mãezinha acreditando causar grandes estragos.

Tudo que um dia eu quis avançar, hoje me faz querer voltar no tempo. Eu faria tudo tão diferente, aproveitaria tanto... Teria tempo até mesmo para estudar mais e me dedicar naquilo que criança não gosta. Mas daí eu percebo que novamente estaria trocando a magia infantil por um plano de, talvez, não ser um adulto frustrado.

Melhor deixar a vida acontecer e perder um pouco dessa mania de ser além ou aquém daquilo que represento agora, hoje! Melhor que se faz é viver e desfrutar cada etapa, tal qual ela se apresenta, pois cada fase é única e por mais árdua que se possa parecer, causa uma nostalgia que embola a garganta...

DIEGO AUGUSTO.

Mineiro de Belo Horizonte, engenheiro de produção por profissão e escritor por paixão. Amante da vida e das pessoas, acredita que os sonhos embalam a vida e o amor propulsiona os sonhos. Odeia o mais ou menos e pessoas que querem progredir cedo acordando tarde. Apreciador de cervejas e conselheiro de temas que pautam as mesas de bares.

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