O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sobre o tempo, a realidade e os sonhos não conquistados.




Fui feita de sonhos na minha infância.
Sonhava com o sucesso e a felicidade profissional.
Um cargo alto na minha área, sapatos de salto alto, roupa social e o misto de cansaço e satisfação no final do dia.
Sonhava com o apartamento decorado. Um companheiro leal ao meu lado, um cachorrinho pequenino, uma cama grande e uma varanda com uma bela paisagem ao fundo.
Sonhava também com os passeios tranquilos com a família, as viagens programadas com os amigos e todas as minhas contas pagas com conforto.

Aos poucos, fui me deparando com as amargas doses da realidade.
Vi castelos alheios desmoronando e depois vi o meu ser levado por uma onda inesperada.
Tive que mudar os planos, encarar os fatos e entender que a minha vida não seria como eu idealizava com cinco ou oito anos de idade.

Me senti (e ainda sinto) como se estivesse na contramão do nosso rápido mundo: quanto mais ele acelera, mais eu paraliso na ansiedade que me consome e na frustração que me invade.
Algumas pílulas, muitas lágrimas, certas palavras de apoio, uns puxões de orelha e situações de fé tentaram me puxar. Em algumas vezes, tiveram êxito. Em outras, não.

Deitei muitos dias e noites na cama só para fechar os olhos e fugir da rotina.
Só para fazer o tempo passar mais rápido, sem medo algum que ele se esgotasse.
Afinal, a minha vontade e a minha força também haviam se esgotado.

Não encontrei ainda um trabalho na área que me faz feliz.
Não tenho grana para bancar um apartamento vazio, muito menos um decorado.
Às vezes consigo fazer alguns passeios e raramente consigo planejar uma viagem.
Pago as contas e, muitas vezes, deixo a diversão de lado para poder fazer isso.

É. Inevitavelmente, o tempo está passando. Às vezes isso me consola por saber que não dá para levar tudo tão a serio (já que um dia haverá fim). Às vezes me desespera pela dúvida se um dia eu ainda conseguirei tornar-me quem eu quero e conquistar os meus sonhos.
É claro que eu não sei a resposta.

Talvez amanhã eu me depare com outra crise de choro ou de ansiedade.
Talvez amanhã eu me depare com a minha própria coragem em uma boa oportunidade.
Vai saber...
O que eu sei é que não consigo acompanhar este ritmo acelerado, estas cobranças desonestas (que consideram agradar somente ao que ou quem está de fora, anulando os nossos sentimentos), e nem esta pressão enlouquecedora que nos faz perder o tal tempo com medo do futuro, esquecendo de viver o presente.
Sim, temos que viver o presente.
Com o que temos.
Com o que somos.
Com quem ainda está aqui, ao nosso lado.

Por isso, hoje enxergo que só me resta continuar lutando e acreditando.
Não quero me conformar e nem me apavorar com o tempo. Quero é dar o meu melhor e aproveitá-lo também da melhor forma possível.
Afinal, um dia, o que é para ser meu, há de vir.
Enquanto não vem (ou até mesmo se nunca vier), bom, eu sigo agradecendo e aproveitando aquilo que eu já tenho, pois, pior que a tristeza de não realizar os meus desejos, seria a tristeza de não ter vivido a minha vida pela falta deles.




BEATRIZ ZANZINI.

Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

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