O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

POR ENTRE OS DEDOS


Nessa geração de amores líquidos, entramos num ciclo vicioso de relacionamentos que funcionam mais como uma operação tapa-buracos do que um encontro entre duas pessoas em equilíbrio consigo e dispostos a se enxergarem para além dos olhos.

Vez ou outra a gente ouve alguém dizer que a carência nos faz vermos amor onde não há. Eu vou além. Em um mundo em que o individualismo e o egoísmo só crescem, o afeto se tornou sinônimo de mera disposição de andar de mãos dadas por aí. Só. E, é bem assim. Caminhamos tão presos aos nossos próprios dilemas que, ao levantarmos minimamente a cabeça, encontramos duas doses de atenção e alguns sorrisos à nossa frente. O encanto é imediato! E verdadeiro, não dá para negar. As mãos se encaixam de uma forma perfeita.

Mas, sabe de uma coisa?
Qualquer mão serviria. Experimente! Dê a mão a um estranho! - Não... brincadeira, não faça isso! - Há milhares, milhões de pessoas no mundo dispostas a andar de mãos dadas com outra pessoa. Há um simbolismo enorme nisso. 

Se bem soubéssemos a profundidade do significado do entrelace dos dedos, não nos conectaríamos desta forma com os amores de esquina. Mas epa... não estou demonizando a liberdade de doarmos os nossos beijos, suores e gozo a quem bem entendermos! Pelo contrário. São nossas escolhas do que queremos viver naquele momento que contam. Mas precisamos dar mais atenção às nossas conexões de alma.

O beijo satisfaz a boca, o gozo satisfaz o corpo, mas o que satisfaz a alma é o que nos faz ter o prazer em caminharmos de mãos dadas, criando um elo que transcende o calor físico que emana do toque. Aquece o coração. Transforma o riso em gargalhada. Por dentro, é claro, que é para não assustar o outro. Mas a gente exagera nesse sorriso por dentro porque alegria contagia. Começa nas mãos, sobe para o sorriso, se abriga no peito, invade a alma e transforma a vida. Experimente caminhar sem pressa de mãos dadas com quem se gosta de verdade... Nada se compara às conexões de alma que começam pelo entrelaçar dos dedos...



VITOR VILAS BÔAS

Baiano, professor de história, apaixonado por política, café basquete, fórmula 1, natureza e pizza de atum com catupiry. Hoje caminha sem muita pressa pelas ruas de Aracaju, deixando as ideias fluírem através do encanto captado pelos seus olhos e ouvidos. Anda, frequentemente, de sorriso e coração abertos, vivendo com a intensidade que os seus 30 anos ensinaram.

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