O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

EU MENTI PRA MIM O TEMPO TODO, VOCÊ NUNCA ME FEZ BEM.


►Leia ao som de Let Her Go, Birdy◄

"Me apaixonei pelo que inventei de você". Marília Mendonça canta minha constatação. Eu me enganei e foi por muito tempo. Eu fantasiei. Eu criei um personagem que só existiu na minha mente. E a culpa é de quem? Eu não sei. Achar um culpado não resolve nada, não recupera tanta coisa perdida. Eu amei alguém que nunca existiu e descobrir isso me deixou sem direção. Eu ainda estou desnorteada. Era como tentar abraçar um holograma. Foi assim o tempo todo e eu não sei como não vi antes. 

Não sei quanto você fingiu ou quanto eu te idealizei. Talvez uma mistura dos dois. Você brincava que eu era importante e eu acreditava. Mas no fundo - como é difícil dizer isso - para você eu sempre fui pouca coisa. Eu que sempre fiz tudo para que acontecêssemos, para estarmos juntos. O máximo que você fazia era me puxar de volta quando seu ego se sentia abandonado. Você precisava de mim para alimentá-lo, só. 

Eu tornei nossos momentos perfeitos na memória, quando você me oferecia quase nada. Eram perfeitos dentro de um pouco, dado em ração. Você me deu sempre tão pouco, tão pouco, que qualquer migalha virava banquete para meu coração faminto. Eu não sei como não enxergava isso. 

Nunca foi bom. Nunca me fez bem. Nunca foi nem perto do que deveria me fazer bem. Nunca atendeu minhas expectativas. Eu que aceitei o que você se dispunha a dar. Eu nunca me senti amada. Eu quis muito ser, eu mentia para mim que era, mas você nunca me trouxe essa paz. Você nunca me deixou segura. Você nunca foi serenidade. Não, não foi! Eu que sempre te olhei como criança de rua olhando as vitrines de natal. Como se você fosse meu maior presente. Como se eu nunca pudesse conseguir. Você sempre tão inatingível. Tão incrível para mim. E eu tão pequena. Tão incapaz. Sim, você nunca fez eu me sentir grande. Eu sempre estive de joelhos. Eu me submeti. Sempre machucada. Como só percebi agora?

Eu tornei esse amor bonito. E meu amor sempre foi. Foi grandioso. Eu faria sacrifícios para te ter comigo. Eu atravessaria mares e mapas (eu atravessei). Eu te amaria todo e cada dia da minha vida e acordaria feliz a cada manhã por te ter comigo. Eu seria grata por isso. Eu moveria céus e terra para te fazer feliz também. Mas você sempre me olhou como insuficiente. Meu peito aperta quando lembro como eu me senti a vida toda perto de você: insuficiente. 

Eu olhei o tempo todo para nós dois apenas com meus olhos. Olhos ternos, pacientes e amorosos. Eu sustentei isso sozinha. Eu amei só. Você só me manteve alimentada o necessário para eu não desabar. Para eu ficar de pé te venerando.  

Eu ainda estou atônita com a confissão que precisei fazer a mim mesma: nunca recebi amor. Você nunca esteve aqui do lado, por igual. Nunca esteve de mãos dadas. Nunca se entregou. Eu criei quase toda a parte que fui feliz porque eu sabia, mesmo que inconscientemente, que você não me faria. Você nunca quis fazer. 

Eu estou indo. Não me chame mais. Eu não quero mais esse amor que sempre pareceu um favor.

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