O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MÃE, OBRIGADA POR SER



Mãe,  

Te vi desde sempre maquiando uma tristeza profunda, tentando me convencer que estava tudo bem, que em meio ao caos a vida merecia sorrisos pra ficar mais leve. Te via acordando antes do sol para batalhar por uma família que merece insistências e empurrões para não parar no tempo. Te vi força pra não fraquejarmos. Te vi resistência pra não chorarmos. 

Me ensinou que não existe esteriótipos, nunca me disse que azul é cor de menina e rosa é cor de menino. Podia brincar de boneca, bolinha de gude e bicicleta. Aprendi a amarrar cadarço, costurar botões e dobrar camisas. Me dedicou tempo pra ensinar matemática, que margarina é uma coisa e manteiga é outra. Perdeu tempo para dar bronca, colocar de castigo. Perdeu noites em claro comigo ardendo em febre. 

Você estava presente em cada dia dos pais na escola, se perdia nas palavras, com seu modo sensível de tentar justificar a ausência de outra pessoa. Mas garantia que estava tudo bem, era só uma data inventada por uma pessoa que queria dinheiro. Tá bem, mamãe. 

Quando se é criança a gente só quer o que todo mundo tem. E como deve ser difícil explicar que nem tudo que vemos e queremos, podemos ter. E como deve ser complicado quando envolve sentimentos, quando existe cicatrizes que talvez nunca sejam curadas. Para isso existem mães que de uma forma ou de outra nos confortam com colos e bolos de chocolate. Tá tudo bem, mãe. 

E então, vamos crescendo, a maturidade vem chegando e te mostrando que UAU!, criar filhos sozinha é mais trabalhoso do que a gente imagina. Ainda mais quando você tenta disfarçar sua própria dor pra não ter que transpassar o medo de não conseguir chegar onde se quer. 

Mãe, chegamos. Tá tudo bem. 

A vida foi feita pra ser vivida e levada da forma que dá, sem excessos, sem cobranças. Você é uma pessoa cheia de dúvidas, tanto quanto eu, e tudo bem, você não será menos mãe por isso. Tem fraquezas, dias ímpares, TPM, medos e inseguranças. Tem atos de bondade, de generosidade e de carisma. Você é um mulherão, mãe! 

No espelho da vida, eu sou o seu reflexo. Batalhadora, guerreira, forte, independente, amorosa. Mulher que não sai de casa sem uma dose de humor ou de verdades para quem precisa. Eu levaria um bom tempo te descrevendo, roubando adjetivos no dicionário que fazem parte da sua personalidade. 

É amiga, mãe, professora, médica... quantas pessoas tem dentro de você? Você é o meu melhor exemplo de bondade. Parabéns por toda a garra e por todo cuidado. 

Não precisa abaixar a cabeça quando falam "pai" perto de mim, tá tudo bem mãe. 
Eu não questiono mais nada, não choro mais. Porque agora eu entendo, mãe. No meu Universo cheio de perguntas, você é a resposta enviada do céu!



ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

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