O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

NOTA MENTAL.


Eu preciso de inspiração, eu preciso voltar a fazer o que gosto. Eu deveria remanejar a minha lista de tarefas semanais, preenchê-la com coisas que realmente tenham sentido pra mim. Preciso de algo que me inspire: uma sobremesa nova, um livro de um autor desconhecido, uma conversa prolongada. Eu tenho que parar de matar tempo no celular. Encontrar alguma coisa que faça a alma transbordar o corpo. Cadê aquela lista dos 30 melhores filmes do século XXI? 

Alguma coisa, qualquer coisa! Um sopro do vento que acaricie meu rosto! Onde foi parar o barulho do mar? A cidade anda tão ruidosa, é preciso de silêncio para escutá-lo. Inspiração. Tem que ter algo que me tire da mesmice e abra um leque de oportunidades. Algo novo, inusitado, que provoque um medo inicial em tentar. 

Uma viagem, preciso viajar e visitar uma paisagem a qual cause estranheza à primeira vista por simplesmente nunca ter visto nada assim antes. Pode ser de avião, trem, de Uber, que seja! Não importa muito o destino, só precisa ser novo. Queria mesmo é falar com gente de língua diferente, que eu não entenda, e precise fazer mímicas para me expressar.

Quantas milhas eu devo ter juntado, será que dá prum bilhete só de ida, sem volta programada? Tanto faz Colômbia ou África do Sul, pode ser até mesmo para o interior de uma das milhares de galáxias inexploradas que habitam o cosmo do meu ser. Um bairro distante tá de bom tamanho! O fato é, algo precisa ser feito para que eu me sinta inspirado, não posso simplesmente ir desgostando daquilo que faço. Tudo que fiz até aqui não pode ser reduzido a uma coceira passageira, que já não coça tanto assim. 

Ler mais o jornal, é disso que preciso! Eu preciso ler coisas mais sérias, ser mais sério, rio de qualquer bobagem. Saber sobre corrupção, sobre o último latrocínio... talvez isso me choque, e me comova, e me inspire. Eu preciso saber de quem tem fome, eu preciso saber que sou privilegiado, que não me enquadro em minorias, que sou saudável, que nem todo mundo estuda em escolas boas, eu deveria ser mais politizado. Eu deveria, mesmo, agradecer mais aos meus pais pelo tempo dedicado a este projeto de 20 poucos anos.

Quem sabe devesse reanimar minha fé no mundo, esquecer um pouco das dúvidas quanto à existência de Deus ou qualquer birra que eu tenha com ele, e ir à igreja, ao menos uma vez, sem compromisso, só no intuito de conhecer algo novo. Eu preciso, desesperadamente, de algo novo. Está decidido: vou pedir outro sabor de sorvete quando for à sorveteria! Eu deveria tomar coragem e te chamar para irmos à sorveteria juntos.



CAIO LIMA
Eu sou tudo aquilo que deixei pra depois e que nunca fiz por preguiça. Tal como as abas que se acumulam na página de pesquisa do meu computador sobre as curiosidades que nunca vou terminar de ler. Sou uma sobrecarga de vontade contrariada, uma ansiedade passageira. Um desvio da rota, um tropeço pelo caminho. As versões que inventei de personagens folclóricos, um filme inteiro de Woody Allen. Sou um atalho impaciente pro jeito mais fácil. Chato pra cacete, mas tem quem ature e diga o contrário. Prazer, eu sou o que to podendo ser.

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