O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

AOS DESACREDITADOS: O AMOR



A verdade é que a gente não perde a fé no amor, continua ali, apto a quebrar a cara mil vezes. Certo que há um receio ou outro de vez em quando, um medo bobo, uma mania vasta de manter distância quando as coisas começam a fluir além do esperado. Mas não dá pra se enganar, mesmo aqueles que mais negam, guardam no fundo uma vontade irracional de amar.

É como se cristalizássemos a primeira lágrima mantendo ali a idealização da dor que se pode sentir, simplesmente por sermos dotados de emoção e querermos enganar a nós mesmos. Engaiolamos a primeira decepção e usamos como arma de defesa diante de qualquer opção de futuro à frente, mas estamos só perpetuando uma primeira, segunda, ou terceira experiência sem cogitar dar chances ao novo. 

Uma coisa é fato nessa vida:  muita coisa vai dar errada antes de algo finalmente dar certo. É questão de experiências, precisamos delas, são necessárias para andarmos um passo a frente nesse jogo da vida, para evoluirmos definitivamente. E no amor as coisas não são muito diferentes.

Sei bem o quanto escasso o mundo está, o quão pouco o amor passou a ser notado. Amar está em desuso, as pessoas desaprenderam a prezar esse sentimento tão belo. Hoje em dia andar com os próprios pés é sinônimo de independência e liberdade, ninguém quer alguém ao lado por muito tempo, estamos nos tornando falsos autossuficientes. Seres que desabam ao primeiro sinal de solidão.

A questão é que não precisamos encarar uma ditadura que diz que para sermos livres necessitamos estar a sós. Não é preciso dar ouvido a um mundo que anda mesquinho demais para relacionamentos duradouros. As pessoas cansam rápido demais, é muito fácil substituir algo que não se explorou a fundo. A maioria se constrói de uma forma tão rasa que é difícil encontrar pessoas profundas.

Mas ainda há amor, esse sentimento não morre, só está à espera de corações gentis, de corações que saibam enxergar além da imagem que se passa. Não se pode perder a fé num sentimento tão bonito, não dá pra ignorar o fato só porque alguns não querem mais crer na força do amar, por isso digo que não basta privar esse sentimento só aos que já aprenderam a amar... aos desacreditados: tentem outra vez.


GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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