O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

OUVE, DISSE O SÁBIO .



Andava por aí, direcionada por um caminho, mas sempre sem direção. Andando assim para algum lugar ou para lugar algum... O caso é que nunca sabia. Menina de sorte, logo saberia o porquê. Talvez fosse jovem demais ou envelheceu sem perceber.

Teve, na vida, mil rumos de caminhos limitados. Mil e uma noites que têm hora para acabar. Não precisa ter pressa, mas não se atrasa. Caminha leve, mas não deixa de caminhar. Contraditório, não é? Sempre soube, mas não se deixa perturbar também. A vida passa rápido e somos todos poeira estelar, pouco demais para alguém se preocupar e, ainda assim, muitos se preocupam.

Um livro antigo dizia que os pássaros do céu nada semeiam e tudo têm. Assim, deveríamos, nós também, não termos desespero, nem medo do amanhã. Mas quem consegue, afinal? Quisera eu. Nesse mesmo livro, diz que tudo abaixo do céu é passagem. Nós também somos passageiros, como as águas de um rio que corre lento, mas sempre se vai.

As águas mudam e o homem muda, dissera um filósofo. Ela continuou caminhando... O que acharia? Um rio. A metáfora das águas funciona, constatou. Afinal, o rio não era mais o mesmo, e sobre ela? A recíproca é verdadeira. Mudanças são necessárias.

Tentou, algumas vezes, entender a vida, num falar sem fim. Entre palavras e refrões, descobriu e guardou para si, até saber de cor: silêncio! Esse é o segredo. Silenciar e entender, na calmaria, todo esse caos. Nada foi tão profundo: a sabedoria de se encontrar, enfim. Nada jamais teve um efeito tão forte.

A ironia disso tudo, e tudo o que estava na sua frente que ela não quis enxergar, pairaram sobre ela naquele momento. Quer dizer, a vida tem formas engraçadas de brincar com você. "Eu não tenho um barco, disse a árvore." 

Ouve, disse o sábio.



NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

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