O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 28 de junho de 2017

VAMOS?



Quer combinar qualquer coisa, dia desses? Uma pizza talvez? Ou um café naquele pub alternativo que te falei. Você ia adorar o ambiente. É tão você. Um desarrumado um tanto quanto descolado que no fim acaba ajeitado. Confuso, talvez por isso me faça pensar em você.

Vez em quando me pego pensando na bagunça que a gente fez. Coisa a toa. Mas eu sorrio tão largo e bonito que o peito se enche de luz. Você quebra as regras que eu me imponho, me faz dançar em câmera lenta, seu jeito independente de me querer, instiga. Não consigo explicar. É algazarra demais para o meu pobre coração.

Fico pensando se eu teria me arrependido de não ter mudado a agenda e ter te feito caber naquela semana. Tão espontâneo que chegava assustar. Sincero demais para deixar pra depois. Eu quis olhar nos olhos, sentir o seu cheiro, tatear as cicatrizes que você escondia com doses honestas de bom humor.

Não te culpo por tantos malabares em camuflar seus ferimentos. Mania atrevida de fingir-se de ferro. E a intuição não falhou, por trás do jeito sereno havia um menino inseguro tentando manter-se no eixo. E eu me diverti com as suas teorias nada malucas. Tão cheias de você e de suas andanças pela vida afora.

E eu gosto do jeito que você me decora, do quanto me observa, do toque suave que arrepia a espinha, do olhar desconfiado que provoca. Você me ganha com jeito, cantando o repertório punk rock que a rádio anuncia, arriscando me explicar física quântica enquanto nossos corpos dividem a mesma cama. Não há concentração que resista aos beijos roubados.

Eu inventei algumas desculpas boas para não me render e sair com você, porque no fundo eu já sabia que a gente ia se misturar na dosagem errada, dava pra prever os estragos. Eu sabia que ia querer mais. Sempre mais. E o mais estranho é que você também tá disposto a pagar pra ver. Então vamos? Um jantar descontraído no meio da semana com risadas garantidas e horas estendidas por emendas dignas de críticos literários. Vamos? Te espero no mesmo lugar e prometo que não atraso dessa vez.


MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.

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