O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

QUANDO AS ALMAS SE ENCONTRAM, EXISTE AMOR!



Ela sempre sentiu um vazio que não sabia como preencher, e na busca por algo que a completasse ia levando a sua vida cheia de café,  bons drinks, amizades verdadeiras, outras nem tão verdadeiras assim, de amores frágeis, de vinhos baratos, mas nada, nada era capaz de preencher aquele pedaço de alma que lhe faltava.

Ela não era triste, pelo contrário, tinha ao seu redor as melhores pessoas possíveis, que a compreendiam, que aceitavam suas piores fases, que viviam com ela as melhores festas, as piores ciladas, que entendiam quando ela queria apenas ficar sozinha, mesmo que por meses e meses.

Mas não era a solidão que lhe angustiava, era algo mais profundo.Ela tentou tapar o vazio com amores baratos, se entregou várias vezes para pessoas que não mereciam,, e mesmo quando conheceu muita gente interessante, seu problema ainda estava lá, Seu problema não era falta de amor.

Tentou utilizar a música, a escrita, os vinhos nas noites frias, os filmes de comédia, as séries de dramas, tudo isso a deixava feliz, mas não era o que faltava. Ela nunca ousou contar para ninguém sobre a falta que sentia, eles a achariam maluca, afinal, ela tinha tudo o que poderia querer, amigos, estabilidade, um ou outro rolinho, para quem via de fora era tudo o que uma pessoa poderia querer, então ela não podia ficar por aí reclamando.

Ela precisava ser forte. Até que um dia, entre um café e outro na hora de sair apressada, como sempre, ela o viu, foi como um insight. Seu coração acelerou, sua mão tremeu, e sua voz não saiu, nem mesmo quando ele perguntou se estava tudo bem. Ela não sabia o que responder, e para sua surpresa ele a chamou pelo nome, e ainda sem conseguir falar, apenas o questionou com o olhar porque ele a conhecia. Ele se prontificou de explicar que era o cliente que tinha marcado uma hora com ela naquele café, afinal essa também era sua bebida favorita.

Ele não era daqueles caras que param o trânsito, nem desses que saem nas capas de revistas, mas ele era diferente de todos os que ela já conhecera, e logo após a reunião terminar ela sabia que mesmo que não precisassem,  iriam se encontrar novamente. E assim foi.
Eles conversaram por dias e dias, tinham muitos gostos parecidos, e muita coisa diferente também, mas mesmo assim algo mais forte os unia. Quando resolveram ter um encontro de verdade, depois de tanta conversa, ela percebeu que sua alma finalmente parecia ter encontrado o que tanto procurava. Ao chegar em casa ela se lembrou de uma parte de um dos seus livros favoritos “mas eu sabia que já éramos como as nuvens que se juntam nos céus e não se consegue mais dizer onde começa uma e acaba a outra”.

Os dias foram passando, a vontade de se verem e de ficarem juntos era cada vez maior, alguns diziam que era loucura, outros acreditavam que era o destino. Mas nem ela sabia direito o que era, ela que sempre fez a linha durona, que não ligava para o amor, que não se importava com a solidão, pela primeira vez deu o braço a torcer, percebeu que o amor existe, que ele pode acontecer à primeira vista, a segunda, ou depois de anos, uma vez que não existe tempo certo, nem pessoa certa. Quem se encontra não são os corpos, mas sim as almas, que se reconhecem, seja dessa ou de outras vidas.

Ela então conseguiu preencher aquele vazio que sentia, ela então descobriu de verdade que existe amor em todo canto, ela descobriu que o amor é brega, mas quem não é?


TAMARA PINHO.
Jornalista por amor (e formação), mineira, e sonhadora como uma boa pisciana. Vivo na internet, então é fácil me achar. Acredito que a escrita é libertadora e nos possibilita viver em diversos mundos ao mesmo tempo.

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