O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O QUE É AMOR?



Amor não é querer encaixar a pessoa em letra de música ou algum filme de comédia romântica, é entender que a receita é estar disposto a compreender o outro um pouco mais, todo dia, desde que isso não nos faça doer ou deixar de ser!

Não é conseguir deixar tudo perfeito porque todo mundo carrega em si imperfeições que acompanham a rotina a ser compartilhada, a cada dia a gente se mostra mais, e é aí que descobrimos que tem amor; quando a gente fica.

O amor nasce do caos que somos, e não das flores dadas ou das cartas escritas no dia em que comemoramos o dia do casal. Vai além de declarações estampadas em capas de revistas, perpassa o status de relacionamento em redes sociais. É uma estrada almejada e desconhecida a cada tentativa nova, é um pouco de compreender que,  às vezes,  o outro só quer chorar do nosso lado. Que faz parte que em certos momentos a gente repense se devemos continuar de mãos dadas, mesmo depois de tanto suor, tantas conversas horas a fio, conflitos de ideias, de sonhos construídos e meias jogadas pelo chão do quarto. É amor quando decidimos ficar, mesmo esquecendo de tudo ou mantendo tudo fresquinho na memória.

Amor não é a definição exata do que queremos, do que vemos nas novelas do Manoel Carlos, é surpresa da hora que chega e até quando se vai, pode deixar dúvidas as quais jamais conseguiremos a resposta, é a soma de afetos e mistura de sentimentos, é mais do que a posse, o ciúme ou as juras ao telefone.

Amor também é permitir que alguém vá embora e a gente permaneça amando, aqui, sozinhos, mesmo sofrendo por falta de correspondência ou pela falta de compatibilidade. Talvez por aceitar que precisamos deixar ir. Amor envolve preocupação, zelo, cuidado e atenção, não pode ser orgulhoso. Isso não.

É mais do que o aconchego anatômico da conchinha na hora de dormir, das massagens em dias necessitados, da sintonia que os corpos envolvidos pele à pele demonstram sempre nos dias de saudade, ou em que o estresse é mandado pra fora do quarto quando a gente se une com o mesmo objetivo. Mais do que somos, nos dias e noites em que o gosto de nós dois juntos é nosso combustível,  a gente só se alimenta um do outro até encontrar a paz.

Apesar de atravessar distâncias incontáveis, de durar anos, de ir além do fim ou aumentar todo dia a cada sorriso dado, à caras e bocas peculiares, Amor é algo que não cabe em palavras ou nos mais ricos poemas românticos, supera a nossa inteligência e se difere totalmente do que a razão insiste em falar, não precisa de permissão pra nascer, e a nós só cabe a entrega, mesmo sem entender realmente o que é, sem precisar questionar.


JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

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