O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 13 de junho de 2017

NO COMEÇO É ASSIM, DEPOIS PIORA.



Quantas vezes você já disse ou ouviu essa expressão? Normalmente vem logo depois de notarmos um comportamento legal em um início de relacionamento. Eu acredito que quando iniciamos um relacionamento sem estarmos inteiros, plenos com a gente mesmo, demonstramos e agimos conforme aquilo que gostaríamos de ser, demonstramos mais nossas expectativas sobre nós mesmos do que o que realmente somos.

A paixão tem dessas coisas. Com o passar do tempo, realmente, as coisas tendem e ser negativamente diferentes, o bom dia deixa de acontecer, as ligações inesperadas já não são mais esperadas e por aí vai, ou, na verdade, deixa de ir. 

Aprendi algo sobre o amor, na verdade sobre os “amores”, existem três tipos de amor: Eros - de Platão, Philia - de Aristóteles e Ágape - de Cristo.

O amor Eros é o amor do desejo, melhor explicado como desejo por algo ou alguém que não temos, mas ele dura somente até possuir, depois que se possui algo ou se está com alguém ele esfria. Como é um amor pautado pelo desejo do que não se tem, assim que se possui, ele cria um novo desejo e aquilo que já se conquistou perde valor. Isso talvez explique o título deste texto. Certa vez alguém me disse algo muito interessante, mais ou menos assim. “As pessoas não se relacionam pelo simples fato de que, caso se prendam ao mesmo tempo, se questionam se B, C, D, E... não seriam mais interessantes”.

Um exemplo: você tem o telefone celular V5 e antes de comprar o V5 você precisava muito ter um V5, ele tinha essa ou aquela vantagem sobre o V4 e era absolutamente necessário para sua felicidade e realização. Você colocou todo seu amor nisso e comprou o V5, passados três, quatro, seis meses o V5 já era tão comum pra você que o cuidado já não era o mesmo. Seu amor que já havia esfriado se tornou nulo assim que lançaram o V6 e esse era seu novo amor, mas só até conquistá-lo. Aplique esse exemplo em outras coisas da sua vida: o tão sonhado estágio que já está chato e cansativo, o carro que hoje “só dá problemas”, o apartamento que sonhava alugar, mas que agora não tem academia e etc.

Philia é o amor da presença, é o amor focado no seu momento atual, na sua realidade. Naquilo que você já tem, pelo emprego que está, pela pessoa que já tem ao seu lado, pelo café coado servido dia a dia, pelo cachorro que te recebe ano após ano, sujo, limpo, com dinheiro ou não. No Philia você é grato, tem todo seu foco nos benefícios e alegrias de ser quem é. Pra mim é um estágio para o amor mais puro e lindo que está por vir, o Ágape.

O Ágape não é o amor pelo que se deseja, ele é incondicional, e apesar de amar com gratidão o que já possui, o olhar do amor Ágape está na figura amada, na felicidade e na alegria da figura amada e não mais na sua própria. É o que você viveu a vida toda com seus pais. Possivelmente eles já deixaram de fazer algo por si mesmos para fazer algo pra ti. Esteja certo que toda vez que esteve doente, eles dariam tudo para estarem doentes em seu lugar. Eles trocariam toda sua saúde por uma enfermidade que você teve ou tem. Eles se alegravam muito pelo simples fato de você estar feliz, ainda que não estivessem felizes com suas realizações.

Deseje melhores trabalhos e posições na sua carreira, mas quando der um salto, viva esse salto, seja grato por ele. A cada salto aprenda, se dedique um pouco mais à alegria e felicidade do próximo. Comece pelas pessoas realmente próximas a você e avance para aquelas que teoricamente não fazem parte de seu mundo, porque na verdade todos fazemos parte de um mundo só.


FELIPE ESCOBAR
Nascido em Minas Gerais e renascido na Bahia há cinco anos, atualmente em São Paulo. Formado em Sistemas de Informação por descuido,  é empata, pai, poeta, agente do pertencer, perpétuo aprendiz das humanidades, especialista em nada. Sonha em aprender a cozinhar, a tocar violão e a ser cada vez mais feminista. É apaixonado por gente e se conecta facilmente com as suas dores. Uma delas provém da divisão dos seres humanos em classes. Sua maior utopia é se formar no curso de meninice. Acredita que ser humano é um ciclo contínuo e diário, e quer expandir a sua mente diariamente. Chorão, hoje se permite errar (e como erra) e experimentar coisas novas. Se interessa por meditação e por conhecimentos espiritualistas, mas somente aqueles que o aproximam do outro, sem exceções.

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