O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

MULHER, DEIXA EU TE DAR UM CONSELHO?


Não sou nenhum hipócrita, nem estou aqui para escrever um milhão de palavras perfeitas sem que, nas entrelinhas, tenham cunho prático apenas para agradar determinado público.

Falar de sexo, sexualidade, gêneros e os motivos que despertam o prazer e/ou apetite sexual de cada indivíduo é um tema bastante delicado por apresentar gostos um tanto quanto individuais e peculiares. Excluindo as preferências exóticas e pessoais daqueles que sentem estímulos com dor (afetando terceiros), zoofilia, incesto e atos criminosos, tais como, pedofilia e estupro, o sexo é um ritual intimo que, vale tudo – bananeira, polichinelo, cambalhotas ou coreografias à lá Cirque du Soleil .

Está mais do que na hora de quebrar os tabus e largar essa mentalidade retrograda que atribui algumas práticas sexuais apenas às profissionais do sexo. Já foi o tempo em que a mulher séria era aquela reprodutora que não tinha direito ao prazer a não ser sorrir com a casa limpa, delirar com a janta pronta ou se excitar deixando o filho na escola.
Antes de classificar gênero, perceba que todos os seres humanos têm direito de ser, expressar e sentir aquilo que lhe faça bem – desde que essa condição não implique em prejuízos ou danos à vida ou imagem de outrem (por favor, né!).

Estou fazendo essa reflexão porque, ontem durante uma conversa com minha irmã (um espetáculo de mulher balzaquiana que muito me admira e inspira) chegamos a infeliz conclusão da difícil tarefa de ser mulher nos parâmetros atuais.

A sociedade – por mais que se negue em alguns aspectos – valoriza e espera a personificação da mulher maravilha em cada mulher desse grande globo terrestre. Não basta ser bonita se não for culta, não adianta ter dinheiro se não tiver status, não resolve ser comunicativa se o público não for interessante, não vale ter corpo atlético se for vulgar em demasia, não é suficiente ser independente se não houver alguém para dividir a vida, não é aconselhável dizer o que pensa se não existir concordância e não causa boa impressão ser autentica se não agradar a maioria.

Tolice! Acho que nunca antes na história desse país foi tão complexo ser aceita no doce e despojado papel feminino. Repare que na minha condição masculina, posso chegar ao bar ou qualquer outro estabelecimento, sentar sozinho, vestindo trajes que julgar adequado e pedir uma cachaça na risca sem que meu ato desperte comentários maliciosos e olhares maldosos. Alguém no máximo dirá que “talvez eu esteja atravessando” um momento difícil. Mas de forma inversamente proporcional e curiosa, o sexo feminino inexplicavelmente depende da aprovação social para praticar desejos e vontades próprias. Que me perdoem (ou se danem) aqueles que discordam, mas até onde eu sei o tráfego de liberdade, ideias e atitudes não é inerente ao cromossomo X ou Y.

Para aqueles que adotam a visão míope e o julgamento raso, nada melhor que usar o silêncio como forma de causar boa impressão. Fica a dica!

Portanto, deixo aqui meu conselho para minha querida irmã e todas as mulheres que tem medo de não agradar o julgamento alheio: seja livre e procure satisfazer seus próprios anseios. Não julgue sua classe se por ventura desaprovar a escolha da sua coleguinha ao lado (não somos unanimes, mas também não sejamos medíocres interferindo na opção que não nos compete). O mundo está essa merda porque ainda não entendemos que um pedacinho de cada escolha é - por bem ou por mal - o reflexo do todo.


DIEGO AUGUSTO.
Mineiro de Belo Horizonte, engenheiro de produção por profissão e escritor por paixão. Amante da vida e das pessoas, acredita que os sonhos embalam a vida e o amor propulsiona os sonhos. Odeia o mais ou menos e pessoas que querem progredir cedo acordando tarde. Apreciador de cervejas e conselheiro de temas que pautam as mesas de bares.

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