O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GUARDEI MINHA SAUDADE NUM POTINHO



Dias desses eu te observei passando na rua em pleno carnaval. Você conseguiu ficar ainda mais linda e estava muito bem acompanhada. Confesso que já não lembrava do seu sorriso. Quando tudo acabou, não conseguíamos mais sorrir de nada. O tempo parecia sempre frio dentro da gente, por mais que o sol brilhasse lá fora.

Sua coragem resultou na travessia. Você arrumou suas coisas e foi embora. Levou tudo, menos o que estava dentro de mim. Você não ousaria levar contigo as minhas lembranças, o meu sentimento. E não levou - nem vai levar. Nunca!

Escrevi tudo que ficou. Fiz um inventário do meu amor, do meu desespero e lacrei com as minhas lágrimas as cartas que desejei que você ouvisse enquanto eu gritava escrevendo em qualquer lugar. No guardanapo, no caderno, no espelho. E, no vidro embaçado do banheiro, eu arriscava desenhar o teu rosto pra colar junto ao meu.

Tantos poemas e desejos em papéis e notas espalhadas por todos os lugares. Desabafei sozinho, do jeito que você deixou, aos prantos. Soluçando, engoli seco a sua ausência, o teu sumiço e, tremendo de frio, te procurei e o teu silêncio foi a tua melhor resposta.

Você até voltou. Você voltou pra saber se estava tudo no lugar. Se aquele lugar ainda era seu. Você voltou por capricho, por vaidade. Não por mim. Ainda bem que eu pude fugir, me proteger do seu ego. E do seu lindo e fascinante sorriso.

Foi tão simples pra voltar, que você foi embora de novo. Mas, você já tinha perdido. E a sua aparição repentina e tardia foi suficiente pra me mostrar que eu já conseguia sobreviver sem você.

E tenho sobrevivido.

Esses dias, na avenida, enquanto eu olhava os trios, os blocos, as coisas e a felicidade das pessoas, você passou por mim. Bem mais leve do que quando resolveu ir embora. Das duas vezes.

Você estava bem, ainda bem. Eu também estou. Juro.

Mas, me bateu uma saudade danada da nossa história. Do que vivíamos e do que sonhávamos viver juntos.

Cheguei em casa e reli minhas dores escritas em papéis diversos. Peguei essa saudade toda e guardei num potinho. Ficou aberto, mas coube. Estão lá, junto com as cartas que te escrevi e nunca as enviei. Fechei bem.

Dessa vez, as lágrimas não vieram pra ajudar a lacrar a tampa.

EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
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