O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ESTÃO TODOS BEM!



Acabou como tinha de acabar, numa boa, decidiram ser amigos, mas, por via das dúvidas, se afastaram durante algum tempo, uma vez que se tratava de algo muito recente ainda. Cada um prum lado, com suas próprias lembranças, rasuras da realidade do que de fato ocorreu, interpretações particulares do tempo que passaram juntos e, por que não, cada qual com suas queixas.

Ela tratou logo de - como dizem mesmo? - Isso, virar a página! Arranjou um namorado novo, fez uma viagem pro Nepal e se matriculou num curso de fotografia. Cabeça cheia e coração renovado. Novas descobertas, uma fuga perfeita do ciclo de mesmices que a velha rotina lhe oferecia, sem mais qualquer ânimo.

Ele, por sua vez, preferiu ficar mais quieto na dele, evitar um pouco lugares tumultuados, trouxe consigo algumas desculpas pra desmarcar saídas com amigos, sua sala de estar parecia ser seu canto mais confortável e o livro de Introdução ao Zen Budismo do D. T. Suzuki sendo a melhor companhia de momento.

Há quem diga, porque nessas horas muitos dizem algo mesmo, tanto amigos próximos quanto completos desconhecidos, que ela na verdade procurou preencher o tempo e o coração vazio pra não se dar conta de que ainda sentia algo pelo ex. Enquanto dele, falavam que não tinha superado e por isso usava o rompimento recente como desculpa, a fim de sabotar qualquer relação que viesse a ter.

Enquanto comentários e palpites brotavam, como se fossem teorias que levassem a algum lugar, ele tava desenvolvendo um projeto que parece ser finalmente o que precisava para deslanchar na carreira, tendo tempo apenas pra uns relacionamentos descompromissados e vez ou outra acompanhar pelas redes sociais as belas fotos que ela tem tirado em algum canto da Cordilheira do Himalaia com o namorado, peruano e instrutor de fotografia no Nepal.

Porque não tem fórmula mágica, há diversas formas de amar, mais ainda de esquecer um amor antigo. E, acredite quem quiser, segundo os ensinamentos budista D. T. Suzuki, estão todos bem.


CAIO LIMA
Eu sou tudo aquilo que deixei pra depois e que nunca fiz por preguiça. Tal como as abas que se acumulam na página de pesquisa do meu computador sobre as curiosidades que nunca vou terminar de ler. Sou uma sobrecarga de vontade contrariada, uma ansiedade passageira. Um desvio da rota, um tropeço pelo caminho. As versões que inventei de personagens folclóricos, um filme inteiro de Woody Allen. Sou um atalho impaciente pro jeito mais fácil. Chato pra cacete, mas tem quem ature e diga o contrário. Prazer, eu sou o que to podendo ser.

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