O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ESPERAR POR ALGUÉM É PERDA DE TEMPO.



Sei lá de onde esse povo tira a ideia de que todo mundo é incompleto até que encontre sua metade perfeita. Em algum momento da minha vida, provavelmente na dramática adolescência, esbarrei numa dessas frases fofinhas que falam de metade da laranja, tampa da panela e todas essas partes que usam pra iludir a gente. Não estou aqui para criticar ninguém. Já tive esse sonho e, talvez, eu sempre tenha uma alma adolescente e sonhadora, só não uma que acredite em cara-metade.

Só depois de tanto esfolar os joelhos esperando a tal metade pra caminhar comigo, fui obrigada a entender que estava tudo errado. Não dá pra ficar parada esperando alguém que te complete, como quem espera um ônibus, um táxi ou o pão na fila da padaria.

Se o ônibus vem é porque você foi até o ponto. Se está a espera de um táxi é porque chamou um e, mesmo que espere um aleatório passar por ali, ele só vai parar se você acenar. Se está esperando o pão é porque foi até a padaria e pediu por ele. Portanto, mesmo que queira só esperar, é necessário tomar uma atitude, fazer uma escolha, algo que dê origem a uma série de acontecimentos que permitam que você espere por algo ou alguém. Ainda assim, não é do meu feitio.

Nunca gostei de esperar a sobremesa esfriar, imagina se eu iria ficar bancando a planta, fazendo fotossíntese enquanto espero o tal do amor, da paixão ou o que quer que seja que essas pessoas ficam esperando a vida toda. Me recuso. E sabe que essa foi uma das melhor lições que aprendi?

Depois de tanto tapa na cara, tanta bateria de relógio esgotada esperando pelo reconhecimento, carinho, amor, compreensão, apoio, palavras, cuidados e atenção dos outros eu simplesmente decidi: Que se danem os outros e o tempo! Não uso mais relógios, não espero por ninguém — exceto o táxi, o ônibus e o pãozinho francês porque ninguém é de ferro — e, em hipótese alguma, pedirei que alguém espere por mim. Luan Santana que me perdoe, mas essa coisa de esperar até os 90 ou além dessa vida, enquanto a pessoa vive a vida dela, não vai rolar, tá? Então tá! 

Vou caminhando, quem quiser que se junte a mim ou me mostre seu caminho que, se for interessante, a gente constrói um atalho e junta os passos, os laços, os traços. 

Não espere, não busque, não procure. Viva! E quem sabe, ali na frente, você também encontre alguém que não te peça para mudar, mas te aceite com cicatrizes nos joelhos e te ofereça as mãos, não pra apoio, mas para equilíbrio.


GISELLE F..
É uma pernambucana por nascimento e paulista por consequência da vida. Escritora, blogueira e brinca de ser poeta de vez em quando. É a típica mulher-eternamente-menina que, apesar de ter cicatrizes profundas, nunca deixou que seu medo lhe impedisse de se aventurar mais uma vez. Quando sente demais, transborda em palavras.

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