O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DOCES OU TRAVESSURAS?



Victor era o primo do meu amigo Pedro e era o carinha por quem eu andava realmente interessada. E desde de que fomos apresentados tudo que eu queria era poder provar o sabor que possuía os seus lábios. Ele era inteligente, divertido, e eu adorava passar tardes no parque alimentando os patos enquanto ele andava de skate. Pedro me convidou para ir em uma festa com ele, fui de acompanhante apenas para irritar Isabela, para ver se ela notava que o estava deixando escapar, ela que por sua vez o havia trocado por Thiago.

Chegamos, socializamos e meu acompanhante se propôs a buscar bebida para nós.
Eu sabia que era um mero pretexto para procurá-la mas fingi não reconhecer as suas reais intenções. Eles eram namorados desde a 8º série, mesmo tempo que Pedro era meu vizinho e meu melhor amigo.

Mas a briga dessa vez não era como as outras. Eles estavam realmente por um fio, e tudo que eu desejava era que se acertassem, não aguentava mais vê-lo arrastar correntes por ela.
A festa era temática para dar boas-vindas ao Halloween, eu tinha escolhido ir de bruxinha, e estava naquele exato momento admirando as demais fantasias quando senti os olhos de Victor me invadirem. Sim! Era ele. O garoto que há alguns meses me deixava desconcertada. Ele estava ali na mesma festa que eu e me olhava fixamente.

Seu olhar era seguro e me fitava com ardor, de repente senti uma vontade insana de poder me aproximar. Ele estava de canto com um estetoscópio envolto a seu pescoço, ele usava uma calça jeans branca com algumas manchas de vermelho que deveria retratar sangue, um jaleco branco que me fazia relembrar Jack Hill, de o Médico e o monstro.

Mas o que o diferenciava de Jack era com toda a certeza o cérebro de massinha de modelar que ele estava segurando em uma de suas mãos, deduzi que sua fantasia era inspirada naquele seriado americano Izombie, onde uma médica residente teve a sua rotina alterada quando foi a uma festa onde se transformou em um zumbi. Agora ela só tem fome de cérebros. Ele percebeu que eu o fitava e então veio em minha direção.

- Boa noite, Carolina!
- Olá, Doutor.
- Gostou da minha fantasia?
- Um pouco assustadora eu diria.
- Eu já iria lhe oferecer um cérebro para o jantar.
- Estamos em uma festa, e isso me lembra que o seu personagem acabou aderindo o gosto peculiar por cérebros exatamente numa ocasião como essa. Devo ficar preocupada?
- Se você se transformasse em um zumbi, com toda a certeza formaríamos um lindo casal.

Ficamos ali conversando por alguns minutos e ter o seu corpo cada vez mais próximo ao meu, incendiava todos os meus sentidos e deixava a minha pele em chamas. Então pedi licença, e lhe disse que precisava ir ao banheiro, joguei uma água no rosto, e decidi que iria falar para ele sobre o que eu realmente queria: que era um beijo seu. Sai do banheiro, injetei uma dose de coragem, tirei uma caneta de minha bolsa e escrevi em dois papeis toalha que encontrei na mesa da cozinha.
Doces em um, e travessuras em outro.

Retornei à sala onde Victor estava e pedi para que ele escolhesse um dos papeis.

- Que brincadeira é essa Carol?
- Apenas minhas vontades que estão pedindo para que sejam atendidas. E lembre-se: eu sou uma bruxa muito poderosa, não ouse me desapontar.

Ele me fitou mais ainda e mordeu os lábios, parecia que entendia exatamente onde eu queria chegar. Ele tirou o papel de doces, e então eu lhe entreguei um bombom, lhe expliquei a brincadeira, e ele pediu para ver o outro papel. Então eu lhe disse só seria concedido um desejo. E foi exatamente nesse instante que ele me surpreendeu com um beijo intenso e que trouxe à tona toda a sua virilidade, e em mim extremas vontades. Então eu lhe sussurrei ao pé do ouvido.

- Eu prefiro travessuras.
E depois do toque dos lábios, e da proximidade dos corpos ele me sorriu de volta, e me puxou pelas mãos me levando para os fundos, nos abrigamos em um quartinho que parecia com uma lavanderia, então ele me segurou pela cintura e me subiu em cima de um tanque, onde fortemente ele me abraçava, beijava meu pescoço e me levava a loucura, minhas mãos em sua nuca o acariciando com dosagens leves e aguçadas, enquanto seus lábios se perdiam em minha textura e eu descia pelas suas costas com minhas unhas afiadas louca para ali deixar as minhas marcas.

Ele então me olhou e sorriu e passou a mão em minhas pernas onde alcançou a minha cinta liga, deslizou seus dedos por minhas coxas e começou a me beijar, do pescoço ele começou a descer para meu colo, e do colo para meus seios, eu já me encontrava inteiramente molhada e implorando por seu toque. Ele me abraçou fortemente e levantou meu vestido, ele me observava como se eu fosse uma pintura a ser admirada, ele tirou o cabelo de meu rosto e começou a sussurrar em meu ouvido o quanto ele me desejava, minhas pernas tremiam, e meu pulso simplesmente parecia que iria explodir.

Então eu que adoro um jogo de comando resolvi inverter os papéis, me ajoelhei em sua frente, soltei um sorriso malicioso ao lhe ver espantado. Tirei sua cinta, desabotoei sua calça e simplesmente deixei ela cair. Ele deslizou sua mão por meu rosto enquanto eu delicadamente lhe mordia por cima de sua roupa debaixo. Perdi o pudor e me joguei na vontade, de joelhos em sua frente eu me deliciei em lhe dar prazer, ele segurava fortemente meu cabelo e soltava gemidos que me deixavam ainda mais e mais excitada.

Sucumbimos ao desejo, e o fiz chegar ao clímax superior. Então logo em seguida suas pernas bambas se dobram em minha frente, e mais uma vez estamos olho a olho, e sem me pedir licença me enlaça em seu colo e me beija sem pausas, apenas beijos ardentes, beijos de desejos, beijos que me deixam mais e mais com vontade de lhe sentir. Em minha boca, em meu corpo, em minhas pernas, dentro de mim, e completamente em mim. Suas mãos em meu corpo, minha roupa no chão, a timidez sai de cena e dá lugar a minha parte mais insana, ele não se assusta com minhas vontades e cumpre uma a uma.

Cavalgo em seu colo, e o beijo ao mesmo tempo, ficamos em pé, deitamos no chão, de lado e sem frescuras ou regras a serem cumpridas, éramos apenas eu, ele e muito tesão. Ao chegarmos no limite de nossos corpos e matarmos o nosso desejo, deito em seu peito e sinto que ele acaricia meu rosto.

- Eu simplesmente lhe quero mais do que uma única noite Carolina.
- Eu me jogo se você me segurar.
- Qual feitiço jogou em meus lábios?
- O mesmo que tu jogaste em mim no nosso primeiro olhar.

E alguns minutos se fizeram preciso, e essa foi a primeira noite de Halloween que tive mais do que um pouco de emoção, não era apenas eu e ele, éramos nós dois, muito desejo e uma intensa paixão.


RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

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