O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ADEUS AMOR.



- Não dá mais. Acho que a gente precisa de um tempo afastados.
- E qual é o sentido em se afastar de quem se ama? Ou já não ama mais?
- Amo, pode acreditar que amo. Mas o amor nem sempre é suficiente...
- Essa eu já conheço. Pode dizer também que o problema não é comigo e sim com você.
- Às vezes os clichês fazem sentido, sabia?
- Então é só isso? Acabou?
- Não sei, talvez a gente se distancie e enxergue as coisas com mais clareza... Quem sabe a gente até volta.
- Essa ideia de dar um tempo não funciona comigo. Obstáculos e diferenças vão existir em qualquer relação, mas quando você ama de verdade, dá um jeito de lidar com eles.
- Mas eu não consigo mais lidar... Ou não quero mais lidar, talvez.
- Tem alguma outra pessoa?
- Eu estou confuso, mas não, não tem ninguém.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Prefiro que você me fale se tiver.
- Não tem. Só preciso de um tempo sozinho.
- Acho que não tem mais nada a ser dito. Cada um segue a sua vida, acabou. Melhor assim.
- Você não pode me dar apenas alguns dias?
- Agora sou eu que não consigo lidar com a sua indecisão... Ou não quero lidar, talvez. Gente confusa me assusta, me deixa insegura.
- Então é você quem escolheu que seja definitivo.
- Se você vai se sentir mais tranquilo assim, que seja.

Não houve um abraço de despedida nem um último beijo de adeus.
Estávamos a poucos quilômetros de distância, mas o fim nos tornava separados como se cada um estivesse em um canto diferente do planeta.

As lágrimas percorriam o meu rosto, contrariando toda aquela calma que eu tentava transmitir.
Eu sentia como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado à força de mim.
Pensei em gritar para você ficar, mas se eu gritasse, talvez você ficasse por compaixão, não por amor. E sem amor eu não via razão alguma para estar ao seu lado, mesmo sendo o lugar onde eu mais queria estar.


BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

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