O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 8 de maio de 2017

TU ÉS TREVO DE QUATRO FOLHAS



Eu poderia enaltecer infinitas de suas qualidades, talvez eu esquecesse de algumas pelo caminho, eu poderia lhe cantar mil canções diferentes para que tu notasses que se soltei minha voz rouca e desafinada perto de ti, é porque quero realmente que saibas que passamos para um próximo nível de intimidade, e que definitivamente confio em ti. Sei que foram poucas as vezes que lhe mandei algo cantarolado, mas sei que já lhe mandei, então entendestes o recado , né?

Depois da primeira base passamos a compartilhar costumes, o seu mundo tão diferente do meu, mas que se encaixou perfeitamente no meu jeito espalhafatoso e desconsertado, e a sua calmaria acalmou também o meu coração.

Homens são todos iguais, todos uns calhordas, vivem arrotando “eu te amo”, mas não sabem nem mesmo lidar com a resposta negativa de um :  - oi tudo bem? ,  porque se a cantada fuleira funcionar é o que importa.

Era exatamente assim que eu pensava antes de te conhecer, mas com sua paciência e sabedoria foi derrubando as minhas armaduras e o olhar de desconfiança eu parei de te lançar. Primeiro me roubou sorrisos, depois tive urgência do seu abraço, ô lugar bom de se morar , sô. Quis te contar minhas piadas horríveis, te emprestei meus filmes, me mudei pra sua rotina e deixei você tomar totalmente conta da minha, porque você é o estranho mais ajeitado que o destino veio a me apresentar, tem cheiro de erva doce e é em sua companhia sempre terna que eu insisto em ficar.

Passei a te contar coisas sem nexo, coisas urgentes, medos, sonhos, e toda vez que eu viajei para o futuro, por uma fração de segundo eu tive medo, um medo terrível que me paralisou, e se amanhã você não estiver mais por aqui? Se o meu cabelo te assustar? Se enjoar da minha trilha sonora, e se a minha companhia, de um fardo pesado pra ti não passar? O medo é irmão gêmeo da angústia, eles trazem um combo amargo de incerteza que riem do nosso jeito catatônico por ansiar a resposta que pode definitivamente te levar para longe dos meus dias que passaram ser alegres desde que te conheceram.

Não sei como está seu dia, sua vida, seu coração, ou seja, por onde é que andam os seus pensamentos, mas eis que vim aqui lhe dizer que sempre que pensar aquele velho clichê: do porquê o céu é azul, a terra é redonda e o ar é invisível, lembre-se que nem tudo necessita ser transformado em um teorema de Pitágoras, apenas precisa fazer sentido para alguma fração numérica que algum dia dará sentido à matemática.

Em resumo o que quero que tu saibas é que se tu não sabes qual é a sua missão na terra, aqui facilito seu trabalho: foi para que eu pudesse acreditar na humanidade. Sim, foi exatamente pra isso, o seu jeito único e indecifrável tem sido o bálsamo para os dias inconstantes, você se tornou uma de minhas canções preferidas, aquela do Teatro Mágico: “Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar, a cena repete, a cena se inverte, enchendo a minh'alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar. ”

Tu és aquele tipo de trevo de quatro folhas que a gente não sabe por qual caminho achou, mas apenas achou, e espera que ele fique e sobreviva a todas as adversidades da nossa vida, seja nos tempos de seca ou da bonança, apenas queremos que por aqui fique, queremos que só fique. E se tem algo que tu és perfeitamente capaz é de fazer brotar vida onde era só pó. Tu, o anjo mais velho que veio pra terra para me cuidar, saiba que lindamente está exercendo o seu papel e que eu sou grata por ter aprendido a te amar.



RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

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