O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

POR UMA VIDA COM CICATRIZES E INCERTEZAS


Eu nunca consegui entender o motivo que as pessoas têm de ter medo de viver, a mania insistente em achar que tudo foi feito para machucar, magoar, entristecer e perecer.

Nunca consegui entender o medo de se entregar, se afogar, de brindar a vida com momentos inesquecíveis e lembranças que queimarão na memória apenas porque tem medo de que esse momento intenso não dure para sempre.

Não consigo e nunca conseguirei entender porque as pessoas tem tanto medo de sentir, de viver, de ser feliz, de estar triste, de se magoar, de se entregar, porque, para mim, a vida é isso, um mundo vasto de sentimentos e emoções que não sabemos o que um dia sobrará dentro de nós, mas dentro de mim eu sei que ficará apenas a alegria de não ter me contido.

Falta coragem nas pessoas, coragem de realmente viver a vida e não apenas passar por ela, coragem de se apaixonar perdidamente e ficar com o coração esfarelado depois por não ter sido o seu “eternamente”, mas garanto moça, que um dia você olhará para trás e agradecerá à vida por não ter sido ele.

Falta coragem de levantar a cabeça, conhecer a si mesma, assumir quem você é sem rédeas, padrões ou intromissões de espectadores da vida alheia, coragem de enfrentar as próprias emoções e domá-las a ponto de querer se perder totalmente em um momento que lhe dê prazer sem medo ou inseguranças e sem pensar no amanhã.

Falta coragem de abraçar as incertezas e entender que a vida é feita disso, porque ela não é um livro que já veio escrito, não tem um manual para que saibamos o que dará certo ou não. Cá entre nós, gente, INCERTEZA é o que há de melhor, pois a vida é uma celebração às surpresas do dia-a-dia, um conjunto de momentos e sentimentos que apenas você é capaz de sentir e mais ninguém poderá vive-los e senti-los por você, e nessas incertezas você se permite ter novas experiências.

Sou muito a favor de uma vida cheia de cicatrizes, eu tenho várias e me orgulho de cada uma delas, porque me provam que não sou de recuar, sou de viver, de aprender, de sentir intensamente, de querer mais, de a única certeza de se ter é a de que não é porque me machuquei andando de bicicleta que nunca mais vou pedalar e valorizar a sensação do vento bagunçando meus cabelos, apenas porque tive medo de arriscar novamente.

Acho que todas as pessoas deveriam aprender a dirigir sua própria vida, pegar no volante, se perder nas estradas sem fim de possibilidades, colocar um som nas alturas e viver de acordo com o ritmo que mais te agrade, dar satisfação apenas a você mesma de acordo com os seus próprios valores e não ao dos outros, e ter a certeza de que, por mais que se perca, é você quem está na direção e cabe apenas a você arranjar um meio de se encontrar.

Vamos dizer mais SIM à vida e mudar essa postura vitimista? Vamos ter coragem de sofrer, se regenerar e sofrer de novo? Vamos ter coragem de assumir a responsabilidade de enfrentar a vida e sentir as amarguras sabendo que nesse mar de sentimentos teremos muitas conquistas, realizações, satisfações, felicidades, alegria e liberdade? Porque se dessa vida nada se leva, então não podemos nos prender.


MARCINHA ROCHA
Paulistana, geminiana e dona de uma gargalhada que chama a atenção. Estudante de ciências contábeis, viciada em pessoas, em comportamento humano, filosofia e música e adora uma boa conversa. Apaixonada por olhares e sorrisos, ouve mais do que fala e o que não fala escreve sem parar. Intensamente viva, brutalmente apaixonada por momentos espontâneos de felicidade e praticante voraz de uma dança descompromissada,

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