O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

PARTÍCULAS


Eu sei de algumas coisas nessa vida. Sobre mim, sobre o que me faz menor e maior. Sobre o mundo.

Eu sei que não consigo me conter quando eu quero. Eu sei que certos comportamentos meus são tão crônicos, quanto as crônicas que eu escrevo. Que com o tempo, e por ele, se moldam. Sei que sou controversa. Sei que sou tímida em alguns momentos. Sei que não sou tímida, na verdade. Sei que procuro escutar muito porque quero aprender demais. Quero ser tão melhor, que o perfeito é pouco, e isso não me ajuda. Sou perfeccionista, sou exigente, sou quem eu queria ser um tempo atrás e consegui, e apesar dos mil defeitos, isso me basta. Tenho medos, medos esses que me fazem paralisar, às vezes. Mas a gente segue. Na luta da vida, na luta que é ser quem somos. A gente segue. Sei muito de mim acho que pra compensar o quanto não sei do outro. A gente tenta antecipar acontecimentos e reações, e acaba sempre surpreendido. Não sou de me intimidar, e me intimidei, meio que não esperava o tanto que foi, e me perdi nos pensamentos. Cambaleando, meio tonta, meio boba. Foi assim que eu fiquei, quem viu de longe, pôde assegurar. Eu não percebi. O pior é querer falar e ter receio de se afogar na própria língua. Eu por falar demais, e não entender que nem todo mundo está pronto pro meu barulho, preferi calar. Melhor né.

Pior? Não sei.

Eu reparo em coisas que ninguém repara, e em momentos não reparo em rigorosamente nada. Eu gosto é do estrago, como diz a música. Sempre gostei. Gosto da contramão do que é controlável. Gosto do caos, e quero paz. Como pode? Me pego novamente fazendo coisas que disse que não faria. Quero ser imensa mas algumas vezes, tenho medo. Quero ganhar o mundo. É como num desenho animado em que os pés se movem à toda velocidade, mas é como se mesmo assim, não se saísse do lugar. E ao mesmo tempo, é como se a qualquer momento eu fosse entrar em ebulição e minhas partículas tresmalhadas fossem se espalhar, respingando em cada canto do mundo e me levando a todos os lugares de uma vez só. E eu mal posso esperar.

Eu gosto de quem eu sou, mas gosto também de encontrar desafio, te encontrei. Gosto da consciência de que quem eu estou prestes a me tornar pode ainda ser mil vezes melhor. Você me desafiou em outras vidas, e agora me desafia novamente.

E eu gosto.


ALINE VALLIM
Tenho 31 anos, escritora, professora de inglês, aquariana, feminista, blogueira e problematizadora, não necessariamente nessa ordem. Quero escrever e espalhar pelo mundo minhas linhas. Viciada em café e mate. Espero loucamente que a empatia salve o mundo e possamos de verdade, nos desfazer de tudo o que nos prende. E sejamos finalmente, livres. .

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