O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 4 de maio de 2017

NOSSO QUASE VIROU UM FINAL.


Fomos uma história interrompida, um caso sem futuro e um conto pela metade, porque sabíamos que não nos completávamos. Ambos fingindo que não percebiam que o fim seria inevitável, se é que ele chegou a existir (se é que nós dois chegamos a existir). Mesmo quando juntos, estávamos mais distantes do que nunca. Mesmo um ao lado do outro, estávamos separados por quilômetros de uma distância invisível.

Talvez a vontade fosse realmente grande a ponto de não considerarmos nada disso e nos entregarmos ali, por alguns segundos, minutos e quase um dia. Ali não existia empecilho. Ali o grito das diferenças era abafado pelo desejo. Ali não existia mais ninguém, mais nenhum porém. Éramos só eu e você, com nossas bocas que não se deixavam, nossos corpos que se entrelaçavam, nossas conversas sem sentido que denunciavam ainda mais a nossa nítida incompatibilidade, e nossos olhos que se encontravam e se desviavam com a mesma facilidade, assim como os nossos caminhos. Ali não era preciso disfarçar aquela química surreal que nos dominava, aquele incêndio que nada e nem ninguém controlava...

E agora só restaram as cinzas desse fogo, a lamentação do que um dia quase fomos, a saudade dos momentos em que só a atração entrava em cena, sem nenhum sinal de orgulho, mágoa, raiva ou arrependimento. Assim como eu, você sabia que jamais teríamos, de forma plena, segura e absoluta, um ao outro. Fomos feitos como água e óleo, como personagens que se repelem e se ferem. E mesmo com essas feridas tão pulsantes, ainda existe uma falta aqui quando penso no que poderíamos ter sido, mas ela enfraquece a cada vez que me lembro do que realmente somos, levando-me à certeza de que o que eu quero, nós jamais seríamos...

Porque hoje somos inimigos não declarados, corpos que não se misturam, bocas que nunca mais se tocam, olhares que nunca mais se buscam. Somos um quase que perdeu a chance de ser real, um começo que não aconteceu porque nasceu e morreu em um inevitável final.


BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

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