O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 5 de maio de 2017

IMPONÊNCIA



Tenho medo de terminar em mim. Tenho medo de não continuar. Queria eu, não ter medo de nada. Absolutamente. E, ser o bastante para mim mesma.

Quando você acorda pra tudo o que está a sua volta, e o que consegue ver é apenas uma coleção de escolhas erradas, as consequências dessas escolhas, e uma sucessão de equívocos e projeções infundadas, o coração encolhe como uma fruta murcha. Não é medo, é falta de perspectiva. A vida não está toda errada, tem tanta coisa certa e que eu gosto, principalmente quem eu sou, e mais ainda quem eu me esforcei pra ser.

Tenho o dinheiro que vai e vem nesse clico mensal característico, e que me garante todos os meus luxos e necessidades, contas e supérfluos. Tenho uns sorrisos que eu gosto de admirar aqui e ali, uns flertes sem vergonhas e com vergonhas... Mas esses pedaços não dão liga com o meu resto. Ainda não senti tudo se transformando em uma coisa só.

Tenho medo de não testemunhar grandeza, de não poder contar a todos que há quem te salve e te dê sentido, mesmo você já fazendo todo o sentido do mundo, sozinho. E fazemos, eu sei. Mas o coração espera, e eu não mando nele. Nunca mandei. Ele continua esperando.

Eu gosto de bagunça, e a paz que eu anseio não parece combinar com o cenário. Mas combina. Quando eu vi em você uma fagulha, o fogo que eu gosto, me deleitei por um momento. Por um momento. Começa-se a achar que o coração tá errante demais. E o tempo, ao mesmo tempo, que eu o perco, ganho. O que pode ser um pouco confuso.

Acreditei que com o passar das horas e dias, o instinto de sobrevivência fizesse algo pelo coração no qual habita, mas é outro que fica meio bobo. Eu tô meio boba também, te imaginando em todos os lugares e com medo de você não gostar de mim. Mesmo já sabendo que gostando ou não, já não faz diferença. Imaginando sua língua me inundando, suas palavras me adornando e sua força, quando resolve entrar aqui no meu meio e me deixar ciente de toda a sua imponência.

Queria imaginar você junto com todo o resto que eu quero pra mim. Eu continuo querendo.

ALINE VALLIM
Tenho 31 anos, escritora, professora de inglês, aquariana, feminista, blogueira e problematizadora, não necessariamente nessa ordem. Quero escrever e espalhar pelo mundo minhas linhas. Viciada em café e mate. Espero loucamente que a empatia salve o mundo e possamos de verdade, nos desfazer de tudo o que nos prende. E sejamos finalmente, livres. .

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