O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

É SÓ VOCÊ SORRIR QUE EU ME PERCO


Você fala, fala, fala e eu juro que tento prestar atenção no conteúdo, mas fica difícil quando só consigo acompanhar o movimento dos teus lábios ao pronunciar qualquer palavra, chamando minha atenção mais do que o que está sendo dito. E eu balanço a cabeça concordando, incorporando a expressão de que estou entendendo absolutamente tudo o que sai da sua boca, tal como aprendi no cursinho de teatro, e fingindo não querer beijá-lo no mesmo instante.

A verdade é que ouvi um terço da história e ainda estou tentando adivinhar o resto para montar uma resposta plausível na minha cabeça. Talvez vá soar meio estranha e você não consiga entender meu raciocínio mesmo, tanto faz, já que nem eu sei  bem ao que vou responder.

Eu me perco em pensamentos, com o olhar estagnado em qualquer foco desfocado do ambiente  enquanto voo para um lugar distante, onde passeio sobre as curvas do teu corpo com a ponta dos dedinhos lhe causando mil e um arrepios e te vejo suspirar com cada toque meu. Você me chama de "amor", eu acordo do meu transe sorrindo que nem boba. Você me pergunta o porquê e a resposta é só mais um sorriso bobalhão acompanhado de um brilho no olhar que eu não sei evitar. Você sorri e eu me apaixono ainda mais.

Vejo a curvinha do teu sorriso surgir e em meio a ela aquelas míseras covinhas quase inexistentes marcam presença me deixando ainda mais confusa entre o real e o ilusório. Desejaria ser o mar no exato momento em que você sorri, só para te encobrir por completo, te aconchegar nas ondas de uma calmaria inquieta e te manter ali, embalado no meu abrigo. Eu seria essa calmaria a vida inteira se pudesse sempre te ver sorrir assim.

Se eu tivesse a opção de escolher entre um céu estrelado e uma parte de ti, escolheria o céu da tua boca, onde faria morada em beijos quentes ao longo de noites frias, entrelaçando olhares ansiosos e misturando nossos corpos numa dança atrevida sob a luz amarelada da lua, em qualquer uma de suas fases. Se eu pudesse escolher, migraria para um novo universo onde o brilho do teu olhar fosse minha galáxia mais bela e eu pudesse me aventurar, como um astronauta que não quer nada, por entre os teus mil segredos escondidos.

É só você sorrir que eu me perco. Nunca sei bem o que eu sinto quando isso acontece, só sei que meu mundo para, o relógio parece tiquetaquear sem sair do lugar. O chão vira nuvem de algodão e é como se tudo fosse colorido por um grande e interminável arco-íris. Talvez eu já nem me sinta num mundo tão real, talvez você seja minha droga alucinógena que me transporta para um mundo ilusório onde eu me sinto tão bem em estar.

Você sorri meio tímido, mas continua contando suas histórias, e eu continuo fingindo prestar atenção enquanto capto uma palavra chave ou outra e respondo com "sim" ou "não" só para dizer que estou prestando atenção. Enquanto me perco e me encontro nos teus mínimos detalhes e te entrego meu jeito bobo de lidar com esse amor que cresce aqui dentro, num sorriso meio torto. Você pergunta minha opinião e de tanto divagar não encontro um argumento, olho mais uma vez o desenho da tua boca e, no impulso, te roubo um beijo. Não tenho outra resposta para te dar.

Você, mais uma vez, sorri e eu, novamente, me perco.

GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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