O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CUIDADO, SÓ SE APROXIME SE A ENTREGA FOR COMPLETA


Moço, não hesite em vir, mas, se assim decidir, saiba que virá com a certeza de estar inteiro. Não sou metades e, por assim ser, não aceito partes de ninguém. Me construí preenchendo cada espacinho aqui dentro e não aceito menos do que o mesmo. Comigo as coisas não vem entrecortadas, eu sou intensa demais para quem vem em pedaços. Sou tipo Mentos na Coca-cola, sou bomba atômica de sentimento, eu não sei não ser intensidade. Eu sou, no sentido mais fiel do verbo, e quero que a pessoa seja também, me entende? Anseio por personalidade definida e não por alma influenciável.

Cuidado! Só se aproxime se a entrega for completa. Se for para vir não sabendo o que quer, nem se aproxime. Comigo o buraco é mais em baixo, a fila é um pouco longa e o fundo do poço é cheio de mistérios. As coisas não são comuns nessa utopia que eu criei, saiba que entrar no meu mundo requer uma boa dose de loucura e esteja disposto a arcar com as consequências se achar que isso te fará feliz. Como eu já disse, não sou metades, eu criei um mundo completo, complexo demais para quem vem fracionado.

Não chegue só por chegar, não se aproxime como quem quer algo se não quiser ir mais além. Não sou da superfície, não mergulho em gente rasa, meu lugar é na profundidade da vida. Por isso peço que leia com atenção o aviso estampado no meu olhar: Cuidado! Mantenha a calma, reorganize seus pensamentos antes de se aventurar nessa área restrita e tenha certeza que ao vir, se entregará por completo.

Não quero alguém que me deixe conhecer só a ponta do iceberg, eu quero mergulhar no fundo, esteja a água congelando ou não. Eu quero alguém inteiro, porque eu não sou fragmentada. Alguém que venha para somar: um mais um, não metade de uma fração. Alguém que esteja disposto a encarar uma discussão com bons argumentos, que saiba levar uma conversa sem que vire tédio contínuo. Alguém que não deixe a ressaca do mundo entrar na rotina da nossa sobriedade. Eu não quero o simples comum, eu quero um simples só nosso. Quero a diferença do resto do cotidiano humano, quero alguém que venha composto de novidades de um mundo só seu, alguém que inove o dia-a-dia com base em perspectivas inteiramente suas.

Eu não quero alguém livre de problemas, quero alguém que chegue e exponha a realidade para resolvermos em conjunto e que quando eu me embolar nos novelos de lã da minha existência, me ajude a desenrolar com soluções, mesmo que cafonas. Quero amor brega de verdade, romantismo exagerado, sentimento que é sinônimo de fazer loucura. Gente que vem com a pretensão de fazer a diferença, de não seguir padrões, de fazer o que ninguém faz, pensar como ninguém pensa e acima de tudo saber que atitude é algo extremamente válido e útil.

Cuidado moço, só se aproxime se, realmente, a entrega for completa. Se tiver certeza que sabe nadar ao mergulhar num oceano tão profundo, se souber que aí dentro desse seu corpinho também habita alguém inteiro que não necessite de porções. Cuidado moço, eu sou intensidade, pode até vir com calma, embalado na maré, mas aos poucos mistura sua cor na minha e de duas partes inteiras podemos ser metades de algo ainda maior.

GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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