O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

AMOR À LA FREJAT


Checklist
- Video game
- Netflix
- Pizza
- Chocolate
- Música

Ok, que venha mais um 12 de junho. Quem é que precisa de namorado quando se tem uma lista de sobrevivência pós apocalipse? Da boca para fora, a gente fica bem, sim, bem, até a página 2. Mas quem é que não deseja todo aquele velho clichê de casal? Não pela data, mas pra vida, seja companhia para uma rede preguiçosa na varanda, um vinho bom na cama, chocolates de surpresa na hora do almoço, aquela visita no trabalho, que te faz ter vontade de sair correndo pra casa antes mesmo do expediente terminar.

Eu estou bem, claro que eu estou. Irei sobreviver a toda essa doçura que está invadindo a galáxia, mas confesso que me traz algumas reflexões, aquelas do tipo: “Porque é que não temos mais aqueles amores estilo o dos nossos pais”? Sério, que legal pegar todos os álbuns de fotografias e ver aqueles momentos e notar que eles continuam exatamente iguais, claro, algumas rugas de complemento, um cabelo branco daqui outro dali, mas as noites de pizza em família continuam exatamente as mesmas, corrigindo, com um acréscimo de amor que só os anos a fio é capaz de trazer.

Então eu escuto eles falando de quando se conheceram, e fico imaginando, quando é que irei conhecer aquele garoto espetacular com a mesma doçura que meu pai ainda tem nos dias de hoje ao olhar para a minha mãe? Ou será que um dia vou ter vontade de surpreende-lo, seja ele quem for com essas parafernálias de casais, mas que valem mais do que qualquer vintém trocado encontrado no bolso da calça na hora de lavar?

Não sei, nessa geração que só se importam com o outro se ele não demonstrar, se ele não se apegar, acredito que ficarei com a programação original. Sim, eu estou bem, claro que eu estou, como diria o Mateus Santana, grande poeta da atualidade: “Me disseram: "você vai ser pra sempre só", eu entendi: "pra sempre sol". E percebi que antes sol do que mal iluminado.”

E de complemento? Estou nesse momento ouvindo Frejat, sabe aquele trecho da música “segredos”, que diz: “Eu procuro um amor que ainda não encontrei, diferente de todos que amei”. Pois bem, tá ai, só quero se for assim, casual, frivolidades, boca a boca, corpo colado, toques, tesão que incendeia, eu seria hipócrita se dissesse que tudo isso não me seduz. Porém são momentos, e com eles levam os meus dias que nem sempre são coloridos, e é disso que estou falando, estou sozinha, mas eu estou bem, e vou continuar bem, vou ficando bem, porque eu quero alguém para dividir muito mais do que a minha cama, mas sim para despir verdadeiramente a minha alma, qualquer coisa que chegar até mim que não me cause uma confusão de sentidos e desejos não é o suficiente para que eu tenha vontade de querer que permaneça.

— Exigente! Grita a minha mãe.

Sou sim, talvez até um pouco abusada, mas é que eu sei o tamanho do meu valor para desperdiçar com as mãos erradas, então antes de querer conhecer o calor da minha pele, esteja disposto a conhecer a intensidade da minha essência, porque eu estou bem, e continuarei assim, sozinha no 12 de junho? Cada um entende como quiser, eu ainda estou com a poesia do Mateus: Antes só do que mal iluminada.

RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

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