O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 23 de maio de 2017

A PRESENÇA DA SAUDADE


Tem gente que marca a nossa vida de um jeito que, mesmo estando ausente, faz presença em nossa saudade. Você é assim para mim... Percebi isso quando vi uma foto sua no Facebook. Foi um amigo nosso em comum que publicou, já que eu nem sequer sei se você tem um perfil (afinal, nós nos afastamos e eu nem lembro o porquê). Não sei se eu me magoei com algo, se foi você quem se magoou... Não sei sequer se algo aconteceu para que a gente não se falasse mais, só sei que há alguns anos a gente não tem contato algum.

Enfim, você estava todo sorridente na foto e com um brilho no olhar... Parecia feliz e realizado, sabe? Se divertindo com os amigos e com um copo de cerveja na mão (não seria você se não houvesse um copo junto!). Confesso que te achei até mais bonito.

Bastou te olhar, mesmo que somente através de uma fotografia, para me bater uma saudade gigantesca do tempo em que tomávamos uma, passávamos a noite toda conversando, ríamos das nossas besteiras... Até senti o cheiro do seu perfume. Ah, como eu amava te abraçar e sentir aquele cheiro doce! Sinto falta disso também. Então, depois de passar alguns minutos hipnotizada com a sua imagem, decidi ler a legenda da foto. Talvez este momento tenha sido um dos mais (senão o mais) chocantes da minha vida.

Você havia falecido há uns dois ou três dias. A foto foi publicada para te homenagear. Nela estavam dezenas de comentários de pessoas que te amavam (alguns repetidos, dizendo que "os bons morrem jovens") e que estavam inconformadas com a sua morte repentina. Poderia ter um comentário meu ali no meio, mas eu não consegui fazer nada além de sentir as lágrimas percorrerem o meu rosto sem que eu pudesse segurá-las. Acho que no fundo eu também senti que não tinha o direito de mandar algo agora, era tarde demais... Você morreu lá fora e talvez você pensasse que já havia morrido há muito tempo dentro de mim, mas não. A verdade é que em mim você nunca morreu. Nunca houve velório, enterro... Talvez uma sensação de luto pela enorme falta que eu sentia de você, mas morte não. Nem mesmo agora que eu soube que você não está mais aqui.

Achei melhor desligar o notebook e ir para o meu quarto. Me joguei em minha cama e o choro, que antes era silencioso, passou a gritar com toda força. Eu não tive tempo de te dizer que você fazia (e sempre fará) muita falta para mim. Não tive tempo de te dar um abraço para sentir o seu perfume outra vez. Não pude ver aquele seu sorriso, que iluminava o meu dia, pessoalmente. Não pude nem mesmo ir ao seu enterro porque eu soube da sua morte depois...

Mas sabe, eu lamento mesmo é pelas coisas que não fiz enquanto você vivia. Lamento por não ter deixado o orgulho de lado, por não ter corrido ao seu encontro, por não ter dito o quanto eu gostaria que tudo fosse diferente... Lamento mesmo é por você ter partido sem saber da enorme importância que tem para mim. Talvez agora você saiba, se puder me ver e, principalmente, me sentir aí do outro lado. Mas não importa... Eu só espero que você esteja bem, que descanse em paz e que o seu sorriso permaneça. Em minha memória ele será eterno, assim como o amor que sinto (e sempre senti) por você.

BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

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