O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

TODO CANTO TEM UM POUCO DE TI



Eu ando indo pra cada lugar inusitado... shows de bandas que não me agradam, bares caros, lugares que nunca pensei em pisar, só no intuito da gente se esbarrar. Locais que, pra ser sincero, você nem deva ir, mas vou, ainda assim, na esperança de que você também esteja lá querendo me encontrar, numa tentativa irracional parecida com a minha e que só passe a fazer sentido com a gente se achando.

Eu sei que esse sentimento já deveria ter passado, mas saudade não tem hora e eu voltei a pensar em você. Conselhos de pessoas próximas têm pouca importância em momentos assim. Não precisou de música, filme ou nada que você tenha me indicado. Eu pensei em você por pensar, sem nenhum motivo. Enquanto vagava em pensamentos soltos, enquanto via as pessoas passarem sozinhas na rua, enquanto me vi sozinho, sentado no banco dessa praça, em frente ao carrinho de pipoca que o vendedor entrega o troco a uma moça.

Vai ver tem lá uma razão, quem saiba uma psicanálise de botequim de um sujeito que tem muito tempo disponível pensando consigo mesmo - uma tarde inteira, pra ser mais exato - decifre que eu queria que aquela moça fosse você. Queria que pegasse seu troco e viesse ao meu encontro, que dividíssemos a pipoca e com as sobras enchêssemos a barriga dos pombos que ciscam a nossa volta.
Entretanto, quando aquela mulher virar, deixando finalmente de me dar as costas, quando seus cabelos não mais esconderem seu rosto, eu vou descobrir que ela não vai ser você. Ou vai? Se for você, senta comigo, vai. O vestido é igual a um seu... até quando eu te verei em estranhos? Por todo canto, em olhares rápidos e descompromissados, confundo você com desconhecidos. Nunca é, ela também não é.

Quando o amor consegue enfeitiçar a razão, é preciso encontrar um bom motivo pra não continuarmos juntos. Algum defeito bobo que justifique a tentativa de esquecer. Ainda que cético, me daria por convencido se houvesse algum sinal vindo de qualquer explicação mística. Bastaria que alguma dessas forças do universo respondessem. Olho pra cima, como um descrente aguardando uma resposta divina. Eis que, então, eu posso sentir algo cair sobre minha camisa, algo que vem desse tal além incompreensível. Merda, quem foi o maldito casal que deu comida aos pombos?!

CAIO LIMA
Eu sou tudo aquilo que deixei pra depois e que nunca fiz por preguiça. Tal como as abas que se acumulam na página de pesquisa do meu computador sobre as curiosidades que nunca vou terminar de ler. Sou uma sobrecarga de vontade contrariada, uma ansiedade passageira. Um desvio da rota, um tropeço pelo caminho. As versões que inventei de personagens folclóricos, um filme inteiro de Woody Allen. Sou um atalho impaciente pro jeito mais fácil. Chato pra cacete, mas tem quem ature e diga o contrário. Prazer, eu sou o que to podendo ser.

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