O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 18 de abril de 2017

SOBRE INSTANTES DE CORAGEM E ALEGRIAS.



Ele se lembrou intensamente daqueles olhos, castanhos, que para muitos pareciam comuns -  mas não para ele. Em sua busca incansável pelo acalento dos ditos olhos, sabia que eram únicos e misteriosos. Ela sorriu e pela primeira vez ele sentiu que algo no mundo se encaixava perfeitamente bem, ela, naquele instante, naquele lugar. Lembrava-se de como se sentiu atraído quase instintivamente a abraça-la. Poesia foi feita daquele instante, ridiculamente platônico, nada jamais foi tão injusto como o fato de ela não estar ali em seus braços.
Começou a escrever um novo texto, mas droga, aquilo virou uma carta para ela, ele nem a conhecia e sua veia romântica que pulsava sob as tatuagens e tudo que ele buscava esconder, já saltava a toda. Era, afinal, um romântico incurável. O que faria para ter, colado nos dele aqueles lábios, que já não saíam de seus pensamentos, de repente, tudo era íntimo, tudo era ínfimo. Pensou em perguntar seu nome, dias se passaram até que reunisse coragem, quando finalmente abandonou sua timidez e fez jus a 15 segundos de coragem. Maldita seja toda a vergonha e insegurança que teve ao sentir seu cheiro, ele mal havia se aproximado. E então:

-Oi, você está bem?

Que diabos?! Ele parecia um completo idiota ali, parado, na frente dela, talvez estivesse meio paspalho naquele dia, em especial, tinha que ser. Afinal, havia voltado aos 13 anos?

-Oi, claro. Estou ótimo, prazer, Renato.

Finalmente. Nem sabia de onde as palavras vinham.

-Prazer, Isabela.

Ah, claro. Olhando ali de perto ela parecia tão menina com aquele sorriso infantil, mas com certeza era uma mulher, a mais linda que já havia visto, por padrões totalmente distorcidos, algo de alma.

-Você estuda aqui? Tenho te observado há uns dias...

Por que falou aquilo? Entregou o jogo.

-(risos) Sim eu faço ciências políticas. E você?

-Também estudo aqui, biologia.

-Por que me observava?

-Como te dizer que você me encanta e eu não sei explicar sem parecer um louco? 

Mais risos, naquela noite e em várias, mais conversas leves e a certeza que algo estava acontecendo. Duas semanas, juntos, comentários rolando entre colegas e, finalmente, o primeiro beijo. Não é incrível a sensação quase pura de beijar alguém por quem nos apaixonamos pela primeira vez?!

Dois meses se passaram daquele primeiro beijo, nesses dois meses muitos beijos, e mais que isso, conhecimento. Ele descobriu que a menina dos olhos escuros carregava em si marcas e alegrias, dores e sorrisos-mil. Numa noite que poderia ser tão comum como ele acreditava ser, resolveu que faria aquela pergunta que vinha guardando:

-Namora comigo?

-Achei que já estávamos fazendo isso...

Ela e o dom da leveza e aquele toque sarcástico.

-Sim, namoro com você.


Se lhes contassem aquela história três meses atrás, ambos não acreditariam. Ele escondido em si, ela perdida no mundo. Ele sorriso tímido, ela gargalhada. Ele pernas bambas, ela borboletas no estômago. Ele a amava, ela o amava também.

NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

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