O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

SE VOCÊ ESCOLHER PARTIR



Se você escolher partir, que seja de vez. Que seja sem recaídas, pra eu seguir a minha vida sem incertezas. Que seja sem arrependimentos, pra eu me refazer sem martírios. Que seja sem dúvidas. Sem joguinhos. Sem artifícios. Sem quases. Sem vírgulas.

Se você escolher partir, vá sem se explicar. Não vou cobrar justificativas que me sirvam de consolo. Não se preocupe em deixar pretextos, eles irão ecoar na minha cabeça pelos próximos meses. Todo fim tem seu tempo de assimilação sem cessar e eu também não sei lidar com subterfúgios. Não vou te procurar, porque eu não acredito mesmo que um amor verdadeiro volta. Ele nem vai.

Se você escolher partir, que não sinta a minha falta. Eu sei que a saudade precisa de um tempo pra mostrar que sentimentos chegam ao fim. Que dilacerações só nos despedaçam por escolha nossa. Que se a gente fincar um pouco aqui, mais um pouquinho ali, percebemos que no fim a soma de frustrações está toda enterrada. Mas, por favor, não sinta a minha falta. Vai doer muito mais em você do que em mim.

Se você escolher partir, não deixe vestígios de uma vida com você. Leve tudo. Planos, sonhos, desejos. Leve também as conquistas, as risadas, os choros, os abraços. Leve momentos, lembranças e tudo que couber na sua mala. Leve o que lhe for leve. E se não for, tudo bem. Pra mim também não é. Tudo isso tem um peso que não me é suportável. Não agora. E eu não vou te culpar, não sabemos mesmo onde queremos chegar.

Se você escolher partir, vai. Não te forço a ficar. Você já conhece minha personalidade, minhas manhas, minhas teimosias, meu corpo. Vai, sem olhar para trás. Pra eu não alimentar sonhos e nem carregar esperanças. Vai sem me beijar na testa. Vai pra eu esquecer nossa trajetória traçada e não me perder no meu caminho. Vai, bem depressa. Quanto mais rápido a partida, é mais rápido também a ida. A minha ida. O meu encontro. De uma vida sem você. Não adie isso. Estamos perdendo tempo e sentimento.

Mas se decidir ficar, fica de uma vez. Chega uma hora que cansa. E eu cansei de tentar enfiar goela abaixo que somos protagonistas da nossa própria história. Cansei de tentar, de insistir. Cansei de quem não se permite sentir por uma confusão cerebral ou uma bipolaridade que nem Freud seria capaz de explicar. Cansei de tentar ser reticências na vida de quem só conhece pontos finais. Cansei de te oferecer caminhos com continuações doces -  que você nega - por já estar acostumado com rotas amargas. E em mim, não há espaço para pessoas assim... não mais!

Ou fica com vontade, ou vai sem saudades. Ou fica agora, ou vai sem demora.

ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

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