O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 17 de abril de 2017

PARA UM DESCONHECIDO, MINHA CONFISSÃO!

Cheguei, ela não estava lá, não só ela como sua presença, podia sentir o vazio mesmo antes de saber, de procurar o som do sorriso por todos os cômodos do que antes eu cheguei a chamar de lar.
Parecia que meu corpo estava ligado ao dela,  cada fibra minha vibrava com a simples ideia daquela presença, com o perfume que eu já pensava que era meu, que ainda está nas minhas roupas,  na cama que ela deixou por fazer quando saiu,  e não pude mais deitar sozinho desde que me tornei ciente da minha solidão.

Ela com aqueles grandes olhos castanhos sempre me olhando tão fundo. Nunca duvidei que conseguissem ver minha alma. Conseguiam me ler de um jeito tão profundo que me assustava. Eu sabia quando olhei bem dentro deles e não acreditei que eles estavam me dizendo adeus. Ela não iria embora, não poderia, acreditei que ela seria minha para sempre. Agora a nossa casa estava vazia. As roupas não estavam mais lá, nem mesmo a meia de seda que sempre ficava jogada em cima da cama de qualquer jeito. Ainda sou seu; não compreendo meu desespero, não há mais ninguém aqui para ouvir minhas reclamações.

Pedi, implorei pra não ir, mesmo sabendo que era em vão. Quando me arrastei pra dentro desta vida sem ela sabia que não seria possível, sem carinho, sem amor. Amei, com tudo que poderia, como um vendaval em um dia de verão, com todo meu corpo. Doei-me sem pedir nada em troca, mendigando daquilo que em migalhas pelo avesso ela me mostrava ser possível dar. Aquela presença que me fazia sentir incrível e miserável.

 Não me deixou por não me amar. Pelo contrário. Deixou porque enfim amava. E eu sigo amarrado ferozmente nesse sentimento. Não quero me ouvir e sei que você também não quer ouvir as lamentações de mais um desconhecido qualquer que se senta aqui e pede uma bebida barata para poder abrir o coração, mas não me peça para parar agora, quando finalmente tenho coragem para colocar tudo isso pra fora do peito.

Duvidei, como duvidei que ela pudesse ir! Implorei como uma criança que pede a presença da mãe para dormir e não sabe onde ela está. Não nego a culpa que me pertence, de tudo, do meu sofrimento quando não me deu chance, quando decidiu por mim a infelicidade que me atiraria; não importa agora não é mesmo? O que  quer que diga para me vingar, pra ferir de propósito a razão de tudo isso.

Qualquer coisa que eu faça agora, só mostraria que ainda pertenço a ela como um cão que mesmo maltratado chora aos pés do dono por atenção, como um tolo qualquer que mesmo sabendo que existe apenas escuridão e infelicidade no fim do caminho, escolhe permanecer e não mudar aquela estrada cheia de fantasmas que segue. Assim que me enxergo: um coitado que difama e maldiz o que foi meu lar. Que prefere sentir-se melhor em um passado que nunca existiu. Não me olhe assim. Eu fui feliz e ela sempre infeliz.

Quanto mais eu pensava que conseguia leva-la ao paraíso, mais eu me iludia, enganando-me ao pensar estar mais perto; talvez fosse aquele seu purgatório. Então assim dessa forma deturpada e suja, eu me vingo dela, de mim, ainda não sei bem de quem.

Obrigado por me ouvir.



VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

2 comentários:

  1. Minha conta foi bloqueada por 15 dias.
    Adorei seu texto.
    Me fez lembrar de quando minha namorada terminou comigo.

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  2. Gostei de como você descreveu a solidão o jeito que a presença dela te cativava.
    Também já sofri de amor, a linha tênue da dor a solidão, não ser mais você sem a pessoa amada, porque você se transformou no melhor de você.o ego de no aceitar que seu melhor não foi suficiente, deixar ir. Se encolher

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