O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

MÃE, TUDO BEM POR AQUI.



Mãe, está tudo bem! Sim, eu já comi, mas sinto uma saudade da sua forma de cozinhar. Está tudo certo, mas parece meio errado não ter seu colo e seus sermões. Eu já sei o que você vai falar: vai me mandar voltar para casa e parar de tentar ser artista em cidade grande, parar de escrever para essas pessoas e ir escrever só para você, que sabe me ler como ninguém jamais soube. Tudo que eu quero  , ás vezes,  é ceder a essa sua birra e voltar para o lugar de onde sei que fiz certo em ter saído, é que, mãe, mesmo doendo, eu ainda estou aprendendo a ser adulto e ainda choro antes de dormir, como no sofá e vejo comédia romântica, achando que posso romantizar essa minha vida que tem sido cética desde que eu deixei a proteção das tuas asas e tive que aprender a voar. 

Mas, mãe, se eu tivesse ficado aí eu jamais saberia dessa dor, eu jamais aprenderia o  muito que tenho aprendido enquanto caminho em meio a esses prédios enormes que até parecem inabitados de tão frios e iguais, sempre iguais.Eu quase posso dizer o mesmo das pessoas que vagam por essas ruas, sem rosto e sem nome, apenas mais uma pessoa, como eu, tentando vencer os carros e projetos, os choros e noites barulhentas, mas que, de tão silenciosas, me apavoram.

Mãe, você me ensinou tanta coisa, me perco pensando se aprendi como deveria, ou se desperdicei demais enquanto pensava que já sabia mais que você. Ah, mãe... Não está tão fácil como eu pensei, e bem que você me avisou. Mas, o que eu poderia ter feito? Eu precisava vir... Precisava sentir a mente e o coração gritar para aprenderem a silenciar quando preciso. É que eu sempre inundei e derramei tudo na hora errada, ainda estou aprendendo aquele timing, sabe?! Sim, eu sei que você sabe.

Você que sempre soube das minhas maiores paixões e maiores medos, dos choros no travesseiro e do meu pavor de altura, eu nunca precisei te contar. Nunca precisei te contar nada, não te contei o que precisava, mas você soube de tudo e chorou por mim, lutando no meu lugar quando eu mais precisei. Ainda lembro do seu sorriso, da sua falta de altura e me pergunto: Como diabos uma mulher de um metro e meio guarda em si tanta grandeza? Deve ser por isso que explode e sai por aí espalhando doçura e alegria, cuidado e afeto, aquele puxão de orelha e tudo de bom que encontro em mim, que claramente veio de você. Deve ser por isso que te carrego para todo canto dessa cidade e me pego te achando em mim, no sorriso e na forma de tentar driblar a vida, fazendo graça de cada vez que o mundo tenta nos desgraçar. Você faz falta, mesmo me ligando todo dia, mesmo sendo tão presente.


É que, agora, mãe, eu sinto uma saudade de alguém que me entenda, aquela coisa de olhar que só encontro em você, a mais de mil quilômetros de distancia de mim. E assim, eu vou, escrevendo para mostrar amor, enquanto sinto falta do maior amor que tenho. Mas, tudo bem, mãe. Sim, está tudo bem por aqui, e por aí, como está?


NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

1 comentários: